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05/2012

Os novos idosos com aids: sexualidade e desigualdade à luz da bioética

De Marlene Zornitta

A sexualidade dos idosos tem sido negada, historicamente, ao longo das construções de estereótipos negativos. Entretanto, o registro crescente do número de pessoas contaminadas pelo HIV, nas faixas etárias mais velhas, traz à tona a sexualidade dos idosos – não pela sua negligência ou anulação – mas sob o viés da doença que é o HIV/aids. O aumento do número de pessoas, contaminadas pelo HIV, nas faixas mais velhas da população, emerge como um problema de Saúde Pública e de desigualdade – por que esta população estava excluída das políticas de proteção e de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) – e é examinado, neste estudo, do ponto de vista da bioética.
Tendo por referência a justiça social de Amartya Sen na concepção do desenvolvimento, visto como um processo de eliminação das privações de liberdades substantivas, este estudo: 1) examina como os idosos aparecem na bibliografia pesquisada sobre envelhecimento, sexualidade e aids e 2) analisa e discute as privações de liberdades substantivas que surgem nas ‘falas’ de um grupo focal, com pacientes acima de 60 anos, com aids, em uso da medicação para combater o vírus HIV e em companhamento ambulatorial em um hospital universitário da rede metropolitana no Rio de Janeiro.
Evidencia-se, na perspectiva avaliatória da desigualdade, as privações de liberdades substantivas na sexualidade dos idosos e sua natureza, ou seja, se estão vinculadas às disposições sociais, políticas públicas e/ou valores prevalecentes da sociedade. A eliminação de privações de liberdade, envolve disposições institucionais e condições de agente, se relacionando de forma interativa. Do ponto de vista da justiça – olhar a pessoa na sua integralidade, especificamente na questão da sexualidade – é o que estamos devendo a esse grupo, os idosos.

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