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08/2012

19ª Conferência Internacional de Aids traz compromisso científico com a cura da pandemia e críticas ao sistema de saúde dos EUA

Entre os dias 22 e 27 de julho, aconteceu em Washington a 19ª Conferência Internacional de Aids. Nos cincos dias do evento, 23.767 participantes de 183 países se reuniram para discutir as principais questões que envolvem a pandemia, além de apresentar estudos sobre novos métodos de prevenção e cura. Segundo concluíram os organizadores do evento, o fim da aids será possível se houver continuidade dos investimentos financeiros e dos compromissos políticos e científicos.

Foi anunciada a criação de uma estratégia científica para a descoberta da cura da aids, que contará com mais de 40 cientistas, sob o comando da Sociedade Internacional de Aids (IAS, sigla em inglês), organizadora da Conferência. O programa “Towards an HIV Cure” (Rumo à cura do HIV) foi lançado nos Estados Unidos e a ideia é que estas pesquisas forneçam informações suficientes para a cura definitiva ou, pelo menos, funcional da aids. O desenvolvimento desta estratégia será liderado pela pesquisadora Françoise Barré-Sinoussi, integrante do grupo francês que descobriu o HIV.

Outros estudos sobre a cura foram apresentados na Conferência. Um deles, desenvolvido na França, confirmou que pacientes tratados precocemente e então retirados da terapia com antirretrovirais (TARV) não mostraram sinais de um reaparecimento da infecção pelo HIV. “Esses resultados sugerem que o TARV deveria começar logo após a infecção”, disse Charline Bacchus, pesquisadora líder do estudo.

Na quinta-feira, uma pesquisa de autoria de Daniel Kuritzes, que analisou a persistência do HIV em dois homens infectados submetidos a um transplante de células-tronco para tratamento de linfoma mostrou que embora o HIV fosse detectável nas suas células imediatamente depois do transplante, ao longo do tempo as células transplantadas substituíram os linfócitos dos pacientes. Ambos estavam infectados há muitos anos e estavam em um tratamento com antirretrovirais que havia suprimido completamente a replicação do HIV, mas continuavam tendo o vírus latente nos seus linfócitos circulantes do transplante.

Um terceiro estudo liderado por David Margolis na Universidade da Carolina do Norte mostrou que uma dose de uma droga que inibe uma enzima envolvida no adormecimento do HIV leva à rápida produção de RNA do HIV nas células infectadas latentes do paciente. Isso poderia fazer tais reservatórios virais, anteriormente inacessíveis, suscetíveis às estratégias de curativos. Por exemplo, em combinação com tratamentos que aumentam o sistema imunológico da pessoa, “acordar” o vírus latente pode permitir uma “folga” da infecção.

Um anel vaginal que é inserido uma vez por mês e espalha uma droga anti-aids em todo o tecido ao redor dele também foi apresentado na 19ª Conferência Internacional de Aids. O trabalho marca uma tentativa de “uma nova geração de ferramentas de prevenção direcionadas às mulheres”, observou Dr. Carl Dieffenbach do Instituto Nacional de Saúde dos EUA. O anel de silicone contém uma droga chamada dapivirine. Ao contrário dos anéis vaginais vendidos hoje, o anel experimental não funciona como anticoncepcional.

EUA e o serviço público de saúde

A Conferência, realizada nos Estados Unidos dois anos após o fim da proibição da entrada de pessoas soropositivas no país, trouxe diversas questões referentes ao tratamento da aids no país. O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde Brasileiro, Dirceu Greco, disse que os EUA deveriam fazer como o Brasil e criar um sistema universal de saúde. Segundo o infectologista, a resposta à aids no Brasil se tornou uma política de Estado e não de governo, por isso o país consegue manter as bases do programa.

A Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, participou de uma plenária no primeiro dia da Conferência Internacional de Aids e declarou que os Estados Unidos estão trabalhando para criar sistemas de saúde sustentáveis “que nos ajudem a vencer esta batalha”.

Diferentemente do que ocorre no Brasil, os Estados Unidos não têm um sistema nacional de serviços gratuitos de saúde, e o acesso aos medicamentos antirretrovirais, por exemplo, precisam ser pagos. “Precisamos mudar esta situação. Os portadores do HIV e aids nos Estados Unidos precisam de medicamentos para viver bem e cuidar das suas famílias e para reduzir as chances de transmissão do vírus”, disse Thomas R. Frieden, um dos ativistas presentes.

Protestos dos ativistas

Ativistas do mundo todo aproveitaram a 19ª Conferência Internacional de Aids para protestar contra medidas tomadas pelos governos. Os ativistas brasileiros em Washington protestaram contra um retrocesso da resposta nacional contra a aids. Para eles, o país “não é mais o mesmo” e “vive do sucesso do passado” no enfrentamento da doença. Dirceu Greco discorda: “Dizer que o Brasil vive do passado é muito pesado”.

A aprovação do medicamento Truvada para prevenção também foi alvo de protestos. Os ativistas cercaram o estande do laboratório que fabrica o medicamento no local reservado à demonstração de novos produtos. Eles pediam preços menores para o Truvada e para outros medicamentos. Mesmo sendo comemorada por grande parte da comunidade científica, a nova indicação para o Truvada foi rejeitada por alguns grupos de prevenção ao HIV, como a Aids Healthcare Foundation, dos Estados Unidos, a mesma organização que promoveu a manifestação que fechou o estande da companhia.

Fonte: Agência de Notícias da Aids

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