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09/2012

RENOVAÇÃO – Congressos e Fóruns sobre DST, Aids e Hepatites Virais, encerrados em 31 de agosto, retrataram o novo momento da epidemia

Renovar é preciso. A frase resume o desejo de mais de 4 mil pessoas, entre ativistas, profissionais de saúde e representantes do governo, reunidas em São Paulo, para o evento.

“Precisamos de fato pensar em novas alternativas contra estas doenças. Há muitas questões que têm que ser revistas e reinventadas”, disse Eduardo Barbosa diretor-adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, na cerimônia de encerramento. Já o diretor, Dirceu Greco, afirmou que “os debates realizados nesta semana irão pautar as decisões que teremos no enfretamento da epidemia”. Segundo Dirceu, o Departamento está unido ao movimento social e à academia no planejamento das estratégias de prevenção do HIV e de assistência prestada às pessoas infectadas.

Entre as ações que o Departamento começa a desenvolver para melhorar a resposta à epidemia, Dirceu citou a ampliação do uso de antirretrovirais (leia a notícia); a criação do remédio “3 em 1”, que reunirá em um único comprimido os antirretrovirais Efavirenz, Tenofovir e Lamivudina e o aumento na produção de preservativos pela fábrica nacional em Xapuri, no Acre.

Participação social na abordagem das vulnerabilidades

José Rayan, representante da Rede Nacional de Jovens e adolescentes vivendo com HIV e AIDS, considera que, embora a ciência tenha conquistado avanços significativos no combate à epidemia, o maior desafio que ainda se coloca é o combate ao estigma e à discriminação. “A sociedade civil precisa potencializar suas agendas políticas. É um momento importante para refletir os caminhos a trilhar”, disse ele.
Professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Ivan França Jr, acredita ser fundamental ter um olhar prioritário para as populações mais vulneráveis. “A epidemia é de todos, mas é preciso reconhecer que somos afetados de maneiras diferentes por ela.  A opressão econômica e social age de maneira decisiva”, destacou.

Pra atingir populações específicas de forma exitosa é necessário conhecer o perfil de cada grupo, as particularidades regionais e desenvolver ações em conjunto com a sociedade civil, defendeu Fransérgio Goulart, da Coordenação Técnica do Centro de Promoção da Saúde (CEDAPS/RJ). “A participação social é muito importante, assim como o constante diálogo entre os diferentes entes governamentais”, acrescentou.

Articulação e intersetorialidade nortearam vários debates

Saúde envolve educação, direitos humanos, informação, enfim, um conjunto de políticas públicas. Daí a importância de fortalecer a articulação entre organizações que lutam contra o HIV-aids e outros movimentos sociais. “É a atuação em várias frentes que vai garantir a real qualidade de vida das pessoas com HIV/aids”, afirmou o gerente da área de Direitos Humanos, Risco e Vulnerabilidade do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Gil Casimiro. A construção de uma pauta em comum de reivindicações baseada na luta por equidade, direitos humanos e desenvolvimento é uma das principais conclusões do VI Fórum Latino-americano e do Caribe de HIV-Aids.

Enrique Chaves, do Observatório Latino-americano AID for Aids, foi incisivo: “Precisamos admitir que a luta pelo acesso à saúde não diz respeito só aos portadores de HIV. É também questão de acesso a emprego, moradia e educação, pois ninguém conserva a saúde sem isso. Temos de conectar nossa agenda com a agenda mais ampla do desenvolvimento e da luta por justiça social”.

Para Violeta Ross, da Rede Boliviana de Pessoas com HIV, as redes sociais são ferramentas imprescindíveis desse processo, tanto pelas possibilidades de ampliar o diálogo com outros movimentos, quanto por facilitarem o contato com as bases. “Congressos como esses são caros e difíceis de organizar, mas podemos promover muitos encontros virtuais”, diz Violeta, que destaca a importância dessa articulação: “Vários países ou regiões do continente latino-americano ainda têm enormes dificuldades para garantir o acesso ao tratamento”.

Fontes: Agencia de Notícias da Aids e Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do MS

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