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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.15

12/2008

Aids no clube dos “Enta”

O grupo que mais preocupa o Ministério da Saúde em relação à infecção pelo HIV é o de pessoas acima de 50 anos de idade. Nesta população, a incidência de aids mais do que dobrou na última década. Tanto que, este ano, a campanha lançada pelo Programa Nacional de DST e Aids para o Dia Mundial de Luta contra a Aids, em 1 de dezembro, alerta exatamente para a importância de esta população ser testada para o HIV.

“Nossa campanha é voltada para homens com mais de 50 anos. Observamos que há uma grande dificuldade em diagnosticar pessoas nessa faixa etária porque nem elas, nem os profissionais de saúde cogitam a possibilidade de infecção pelo HIV nessa população”, afirma Mariângela Simão, coordenadora do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde. “Em decorrência disso, o diagnóstico acaba ocorrendo tardiamente, quando já há comprometimento imunológico, favorecendo a instalação de doenças oportunistas e aumentando o número de internações e a mortalidade dessa população” alerta.

Exames de diagnóstico devem fazer parte da rotina

A idéia de lançar uma campanha voltada para esta faixa etária é justamente sensibilizar as pessoas com mais de 50 anos, seus familiares e os profissionais de saúde a pedirem o teste de HIV nos exames de rotina ou quando houver suspeita de infecção. “Os profissionais de saúde, de uma forma geral, ainda não estão preparados para abordar a questão da aids na terceira idade”, afirma a infectologista Valéria Ribeiro Gomes, chefe do Departamento de Infectologia do Hospital Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. “Isso reflete no alto índice de diagnóstico tardio do HIV nessa população. A maioria dos idosos já aparece na clínica com sintomas como emagrecimento e demência”, diz a infectologista.

Vulnerabilidade madura
Para Beatriz Pacheco, soropositiva, com 60 anos de idade e protagonista de algumas peças da campanha de aids deste ano, há várias situações que reforçam a vulnerabilidade das pessoas com mais de 50 anos à infecção pelo HIV. “Os homens normalmente não têm uma ereção plena, dificultando o uso de preservativo, e muitos não têm condições financeiras de usar medicamentos para disfunção erétil”, diz ela, acrescentando que as mulheres maduras, por questões culturais, não se tocam intimamente e isso faz com que tenham dificuldade em assimilar o uso da camisinha feminina.

“No imaginário coletivo, idosos são assexuados. E, o pior, querem que a gente assimile isso! Impossível! Nascemos sexuados e morreremos sexuados, e, por conseqüência, somos, também, vulneráveis ao HIV e a outras DSTs, se não nos prevenirmos”, afirma Beatriz Pacheco. “Está na hora de termos este olhar diferenciado para os adultos maduros e trabalhar com eles a prevenção à aids e às outras DSTs, usando os insumos adequados e a terminologia correta”.

Aconselhamento e acolhimento

Para a psicóloga Marlene Zornita, do Hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de incentivar o diagnóstico, as políticas públicas devem reforçar o aconselhamento para os idosos soropositivos.

“Alguns quadros de depressão e ansiedade são comuns no início, quando o idoso fica sabendo do diagnóstico. É normal também observarmos sentimentos como culpa e vergonha, uma vez que o sexo nessa faixa etária ainda é um tabu tanto para eles quanto para os profissionais de saúde”, diz Marlene. “O paciente idoso precisa ser acolhido pela equipe que o atende e ter um bom suporte emocional para que ele se sinta mais preparado para compartilhar a informação com familiares e amigos, pois muitos acabam se isolando após o diagnóstico positivo”, aconselha a psicóloga, que sugere ainda que os profissionais de saúde tentem trazer os familiares ou o (a) parceiro (a) para perto do idoso, se esta for a vontade dele.

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