Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.21

12/2010

Eles fazem a diferença

Encerrando a série de profissões publicada pela Saber Viver, trazemos aqui as experiências de profissionais da segurança, limpeza e administração que fazem a diferença na rotina dos serviços e no cotidiano das pessoas que vivem com HIV e aids. São profissionais que, pela sua de di cação e amor ao que fazem, contribuem para a melhoraria do tratamento do HIV/aids e das DSTs no país.

A recepção
Em grande parte das unidades de saúde do Brasil, o profissional da segurança é o primeiro a receber o usuário. Por isso, a importância de investir em treinamentos. No Centro de Referência e Treinamento DST/Aids – São Paulo (CRT-DST/ Aids-SP), todos os profissionais estão envolvidos no acolhimento e adesão dos pacientes ao tratamento.

O segurança Anelito Fortunato, que desde 2003 trabalha no CRTSP, ainda se lembra como foi o treinamento recebido quando iniciou o trabalho. “Aprendi como lidar com os pacientes. Muitos chegam sensíveis, outros debilitados, por isso a importância de saber conversar e lidar com eles”, afirma. Anelito ressalta ainda que é fundamental, por parte dos seguranças, orientar adequadamente os usuários. “Recebemos quem chega ao serviço e temos que dar as informações de forma correta”, explica Anelito, que aparece na foto acima ao lado da colega Jassimara da Silva, funcionária da limpeza também do CRTDST/ Aids-SP.

A relação com os pacientes

Jassimara também recebeu capacitação no CRT-SP. Hoje, após um ano e meio no serviço, já faz parte da rotina dos pacientes. “Acabei ficando amiga de muitos deles”, exclama. “Eles adoram quando entramos nos quartos. Dizem que a conversa é outra, que não estamos ali para furá-los, nem dar notícias ruins”, ressalta.

Jassimara lembra que, além de poder contribuir com o serviço, também adquiriu muitos conhecimentos com o cotidiano do trabalho. “Tenho um casal de filhos e tudo que eu aprendo aqui, eu repasso para eles. Estou sempre nas reuniões e nos treinamentos e levo revistas para casa sobre o assunto”, afirma. “Também estou tentando enviar esses materiais para as escolas”, lembra.

Percorrendo a história

Há 20 anos atuando no CTR Orestes Diniz, em Belo Horizonte/MG, o auxiliar administrativo Moises José lembra das diversas fases pelas quais o serviço passou e da importância da capacitação profissional neste contexto. “Eu trabalhava no laboratório, onde 99% dos casos eram de DSTs, sendo assim, tivemos um bom treinamento sobre DSTs e pouca informação sobre aids, já que em 89/90 não havia muita informação ainda”, afirma. “Com o passar do tempo, nosso serviço foi aprimorando, e passamos a oferecer treinamentos e capacitação para outras instituições”, completa.

Segundo Moises, a primeira fase do trabalho no CTR ficou marcada pelo atendimento de pessoas consideradas de grupo de risco. Mais tarde, o serviço adaptou-se para acolher e orientar qualquer pessoa que o procurasse. “A demanda era muito grande, mas a equipe brilhou. Foi nessa época que ocorreram as capacitações de outras instituições para testagem e aconselhamento, onde foram criados CTAs e as unidades básicas passaram a solicitar e realizar testes para HIV”, lembra.

Moises chama atenção ainda para uma terceira fase, quando o serviço passou a receber um número significativo de mulheres. “Elas começaram a
procurar o serviço espontaneamente, talvez por medo, talvez receio, não sei. Foi um número considerável”, diz.
Atualmente, o ambulatório atende somente casos encaminhados, com resultado confirmado, para acompanhamento clínico/laboratorial. Ao longo de todo esse tempo, o aprendizado foi grande. “Convivi com o sofrimento e com as vitórias, vi a dor e a felicidade, vi uns nascerem e outros partirem”, afirma. “O que me deixa feliz é ver os recém-nascidos que chegaram no serviço e hoje se tornaram homens e mulheres maravilhosos”, completa.

Atendimento humanizado
A auxiliar administrativa Giselle Nicodemos, que há oito anos recebe os pacientes para a primeira consulta, faz marcações e remarcações no SAE Sagrada Família, em Belo Horizonte/MG, afirma que, para contemplar o usuário em sua totalidade,é preciso se colocar no lugar dele. “O mais importante do trabalho é que ele é realizado por uma equipe. Acho que todos somos um pouco psicólogos, sempre na escuta tentando solucionar ao máximo tudo aquilo que aflige o paciente”, diz.

Relação de confiança Giselle Nicodemos ressalta que, para fortalecer o vínculo do paciente com a unidade de saúde e melhorar a adesão à terapia antirretroviral,é importante que ele estabeleça uma relação de confiança com todos os membros da equipe. “Esse conjuntoé fundamental na acolhida ao paciente, principalmente aos que chegam pela primeira vez ao serviço”, afirma. “A diferença na adesão dos usuários ao serviço está no tratamento que deve ser realizado de forma humanizada e ética, fazendo com que se sintam seguros quanto ao diagnóstico e ao sigilo sempre”, conclui a auxiliar administrativa.

Compartilhe