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Saber Viver » Saber Viver n.35

03/2006

Águas de Março – Planeje um ano realmente novo

Hamílcar José Cappatto, 39 anos, entrou 2006 com o pé direito: “Virei outra pessoa”, avalia. Em janeiro, depois de um desemprego de sete meses, ele não só virou atendente de lanchonete, como rompeu uma solidão de anos: “Estou me empolgando por causa da Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, no Rio de Janeiro). Antes, eu não tinha contato com nenhum outro portador do HIV”, conta. Ao mesmo tempo em que começou a trabalhar, Hamílcar ligou para a Abia atrás de informações sobre o curso de expressão corporal. Desde então, freqüenta as aulas semanais e aproveita para compartilhar experiências: “No dia seguinte, trabalho com mais disposição”, comenta ele, que ainda quer mais novidades: “Estou pensando em fazer um curso de informática, de preferência com outros soropositivos; quero me enturmar com essas pessoas”, planeja. Para Valéria Francisca de Paula, 40, este ano também não será como o que passou. Formada em administração hospitalar, ela deve ingressar numa pósgraduação em gestão de saúde: “Estou em busca de ferramentas que me ajudem no trabalho de militância”, explica. Valéria refere-se ao trabalho voluntário no Grupo Pela Vidda/RJ. Além de coordenar, há quatro anos, o Grupo de Mulheres, ela está engajada na luta pela melhoria de políticas públicas de saúde, chegando a representar a instituição junto ao Ministério da Saúde. Além de “militante”, Valéria é funcionária do Hospital de Cardiologia de Laranjeiras, onde atua, há onze anos, na área de recursos humanos: “Quando descobri o HIV, há oito anos, o médico disse que eu poderia me aposentar, mas quis continuar sendo útil”, lembra.
Atualmente estudando web desing, Cazu Barroz, de 33 anos, já mudou de rumo profissional duas vezes: “Era administrador de empresas, mas por conta do HIV fui afastado do trabalho, então me tornei ator”, explica. “Acabei deixando de atuar, porque tive dificuldade em me adaptar à medicação”, lamenta. Ele deve concluir o curso em julho, mas já trabalha na nova área: “Junto aos Bandeirantes, desenvolvi um curso à distância de prevenção ao vírus da aids, no ar desde 2003 (www.bandeirantes.org.br)”, conta. Ele anuncia que, em 2006, o mesmo curso será disponibilizado na língua espanhola.
Hamílcar mexe o corpo, Valéria busca mais conhecimentos, Cazu não pára de trabalhar. Se você também quer agitar neste ano, mas ainda não sabe como, dê uma olhada nas dicas da seção Área Útil (última página). A Saber Viver dá idéias para que seu 2006 também seja diferente. SV

Feijoada no Rio reúne sambistas, artistas e PNDST/Aids
Camisinha: não saia sem ela”. Este foi o slogan da campanha do Ministério da Saúde para o Carnaval 2006. No dia 12 de fevereiro, o Programa Nacional de DST/Aids participou do evento “Vista-se”, promovido pelo projeto “Só a Alegria Vai Contagiar”, no Centro Cultural Cartola, ao lado da sede da Escola de Samba carioca Mangueira. Vários artistas e personalidades de diversas áreas compareceram à feijoada às vésperas do Carnaval. Apesar da mobilização pelo uso da camisinha, em vários locais do país, a distribuição de preservativos ainda não havia sido regularizada durante o Carnaval. Em 2005, o Programa Nacional de DST/Aids comprou um lote do exterior que teve 60% das camisinhas reprovadas na análise de qualidade no Brasil. Este fato desencadeou um desabastecimento nacional.

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