Saber Viver Tuberculose

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Tuberculose » Saber Viver Tuberculose n.02

01/2009

A tuberculose foi o primeiro sintoma da aids

Em 2007, José Bartolomeu Batista estava tossindo muito, com catarro, mas pensava que fosse uma gripe forte. Quando sua mulher, Maria Lourdes Andrade da Silva, levou-o ao hospital, os médicos diagnosticaram a tuberculose pulmonar. Ainda durante o tratamento, Lourdes percebeu que a boca do marido estava cheia de sapinho, da garganta aos lábios. Só então o casal foi submetido ao teste anti-HIV. O dele deu positivo e o dela, negativo. Casados há 22 anos, os dois moram na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Com a doença, Bartolomeu emagreceu quase 30 quilos. Não conseguia caminhar. Precisava tomar banho na cama. Desse jeito, sua mulher, que trabalhava como doméstica, teve que deixar o emprego. Para comprar comida, Lourdes vendeu o que tinha em casa. Fez um bazar, expondo os objetos em frente à sua casa. Móveis, televisão, roupas, panelas, ferro: foi tudo vendido. Não fi caram nem cama e colchão.
De tão doente, ele não podia se cuidar. De tão sozinha, ela não podia se afastar dele. Por isso, o casal considera Rita Smith e Ronaldo Ferreira verdadeiros anjos. Na função de agentes comunitários de saúde, Rita e Ronaldo levavam os remédios e auxiliavam nos cuidados com o doente. Mas, como membros do Grupo de Apoio da comunidade, foram além: obtiveram algumas cestas básicas para o casal, providenciaram alguns dos remédios que o posto de saúde não fornecia e recolheram parte do dinheiro necessário para o transporte às consultas médicas.
Hoje, Bartolomeu está totalmente curado da tuberculose e segue à risca o tratamento da aids. Quando o sol bate forte, cata latinhas na praia com Lourdes. Sem perspectivas de conseguir novos trabalhos, o casal deseja voltar a Recife, de onde veio há mais de 20 anos. A casa está à venda, mas Rita e Ronaldo, os anjos, pensam que eles devem ficar: “Tinham que ser remunerados para trabalharem pelos próximos pacientes da Rocinha”, opina Rita.

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