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Solução » Solução n.21

12/2007

Via de mão dupla

O papel do profissional de saúde na adesão à terapia anti-retroviral

Mais de 80 pessoas foram assistir às palestras e participar dos Grupos de Trabalho da I Jornada de Adesão à Terapia Anti-retroviral do Estado do Rio de Janeiro. Promovida, no final de novembro, pela Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, o encontro mobilizou seis farmacêuticos, dez assistentes sociais, 15 psicólogos, 15 médicos, 25 enfermeiros e dez usuários, além dos palestrantes. Entres estes, esteve a infectologista Márcia Rachid, que alertou: “Para a terapia anti-retroviral, a não-adesão é um caos, porque simplesmente pode não funcionar mais”.

A motivação é fundamental
Participante da primeira mesa da manhã, Márcia chamou a atenção para os momentos em que se torna difícil, para o paciente, seguir a disciplina na tomada dos medicamentos. Uma reunião de trabalho, um almoço festivo, uma viagem que se estende inesperadamente… Fatores quase cotidianos que podem impedir o tratamento à revelia do profissional e do próprio paciente. Neste sentido, ela destacou também a importância de o paciente estar ciente dos possíveis efeitos colaterais: “No caso da zidovudina, por exemplo, já sabemos que ela provoca um forte enjôo, mas apenas no início do tratamento. Assim, podemos avisar que o enjôo vai passar depois de quinze dias”, lembrou. Márcia aconselha que se oriente o paciente a usar bips, alarmes, agendas e calendários, na tentativa de disciplinar a terapia anti-retroviral. Na opinião dela, porém, não existe uma estratégia definitiva: “A estratégia que vale para um não vale para outro. O mais importante é motivar o paciente”, pensa.

Nelio Zuccaro, técnico da área de prevenção da Assessoria Estadual de DST/Aids foi o terceiro palestrante da manhã. Ele observou que não adianta dizer para o paciente que se não aderir ficará doente até morrer. Ele criticou enfaticamente a pedagogia do terror, citando, como exemplo, as fotos impressas pelo Ministério da Saúde nas carteiras de cigarros: “Só se adere ao que é aderente, tem que haver atração entre as partes envolvidas”, justificou. O papel do profissional de saúde na adesão do paciente à terapia antiretroviral, aliás, foi justamente a discussão de um dos três Grupos de Trabalho (GTs) pelos quais os participantes do evento dividiram-se na parte da tarde.

O papel de cada um
O papel de cada profissional de saúde na terapia anti-retroviral foi o tema proposto ao GT2, coordenado pelas psicólogas Ângela Machado e Ana Lúcia Weinstein, pela assistente social Jacqueline Barbosa e pelo infectologista Gustavo Magalhães. Numa verdadeira tempestade de idéias, cada um dos presentes expôs os problemas que atrapalham a adesão na unidade de saúde onde trabalha; em seguida, o grupo pensou junto como o profissional pode intervir em favor do tratamento. O esforço parece ter valido à pena. Gustavo, que é professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e atende em um Posto de Saúde, achou a discussão excelente por ter trazido idéias novas. Para ele, o ideal é que o evento se repita a cada seis meses.

SAIBA+
Veja detalhes sobre a discussão do GT2 na pág. 4.

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