Saber Viver Tuberculose

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Tuberculose » Saber Viver Tuberculose n.02

01/2009

A amizade é mais forte que a doença

O bacilo da tuberculose passa de pessoa a pessoa, através das pequenas gotas de saliva, expelidas quando se tosse ou espirra, ficando em suspensão no ar por algum tempo. Ele é transmitido com mais facilidade em locais com pouco espaço para circulação, onde muitas pessoas dormem num mesmo cômodo, ou em lugares sem janelas. Este é o caso da favela da Rocinha, onde mora Rita Smith. Ela, que já era agente comunitária de saúde, há um ano resolveu fazer mais: fundou o Grupo de Apoio de Ex-Pacientes e Amigos em Combate à Tuberculose (Gaexpa), que atua no tratamento e na prevenção da doença. O grupo já conta com mais de trinta voluntários.

Saber Viver – Por que formou o Grupo de Apoio?
Rita Smith – Como agente comunitária de saúde da Rocinha, minha função era levar os medicamentos e só. Eu ouvia as pessoas pedindo socorro e não tinha como ajudar.

SV – Como o Grupo funciona?
RS – Acompanhamos quem não têm condições de se tratar sozinho. Quem não sabe ler, quem não consegue tomar a medicação…

SV – Vocês recebem algum benefício em troca?
RS – Não. Conseguimos alguns tíquetes- refeição e vales-transporte para os voluntários, mas deixamos para quando os doentes precisam.

SV – Que conselho você dá para quem quiser criar um trabalho parecido? O importante é ter alguém ao lado
RS – É preciso coragem para dar o primeiro passo. É duro, mas é possível. Pode começar com uma ou duas pessoas. O importante é apoiar quem precisa.

SV – Apoiar como?
RS – A solidão do doente é terrível. Acho até que não é a tuberculose que mata, mas a depressão. Tem muita gente jogada por aí, sem forças para se cuidar. Por isso faço questão de abraçar quem está doente.

SV – Você não teme adoecer novamente por conta desse contato?
RS – Se a gente não fi zesse nada, iria ter mais gente doente. E, depois de um tempo de tratamento, o bacilo já não é transmitido.

SV – No seu tratamento, o que foi importante para você?
RS – Tinha sempre alguém a meu lado. Quando eu mesma não acreditava que pudesse fi car boa, alguém acreditava. Eu não tinha força nenhuma, mas tinha sempre alguém para me ajudar a engolir um comprimido.

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