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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.17

10/2009

A assistência social em tempos de Aids

Uma doença estigmatizada como a aids, associada a assuntos polêmicos, como sexo e uso de drogas injetáveis, afeta não apenas o paciente, mas todo o seu contexto sócio-familiar. É não só um problema médico, mas também social, econômico, psicológico e político. É aí que entra na equipe de HIV/aids o assistente social – profissional que atua na formulação, execução e avaliação de serviços, programas e políticas sociais que visam a preservar, defender e ampliar os direitos humanos e a justiça social. Nesta reportagem, vamos mostrar algumas experiências de serviços de saúde e alguns profissionais que se desafiam diariamente para lidar com a assistência social em tempos de aids.

 

Assistentes Sociais do Emílio Ribas em São Paulo felizes com o sucesso do Grupo de Estudo de Atendimento Especializado em DST/Aids.

A experiência do Emilio Ribas

O serviço social integra a equipe do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER) há mais de 40 anos. Na década de 80, para atender as exigências desta nova realidade com o surgimento da epidemia de HIV/aids, o IIER, uma referência e um dos pioneiros no tratamento do HIV/aids em todo o Brasil, investiu na capacitação dos profissionais e na ampliação do quadro funcional.

“O serviço social do IIER construiu um conhecimento alicerçado na prática cotidiana, na qual o usuário atendido nos desafiou a encontrar alternativas diante da falta de apoio familiar, estigma, rejeição, discriminação, desemprego, dificuldade de acesso aos direitos sociais e falta de moradia. A assistência social em tempos de Aids nossa equipe de serviço social protagonizou as primeiras ações de enfrentamento da epidemia de HIV/aids nos aspectos sociais”, explica Ana Dias, assistente social e diretora técnica de Saúde do Serviço Social do IIER.

Articulação em rede
Isso fez com que a equipe buscasse formas de enfrentamento junto à instância governamental e articulasse ações com a sociedade civil. Como resultado, a equipe de serviço social do IIER fez parte da criação do Grupo de Estudo em Atendimento Especializado em DST/Aids (GESSAE) em 2002, com os demais serviços de DST/Aids de São Paulo (estaduais e municipais na Capital, na Grande São Paulo e no interior do Estado), com o objetivo de formar uma rede de profissionais de serviço social para articulação, integração e aprimoramento.

“Sentíamos a necessidade de um maior intercâmbio entre os profissionais – que já ocorria informalmente – e então resolvemos organizar este grupo, visando a conhecer e discutir questões relativas ao trabalho social e definir ações conjuntas”, diz Ana.

De 2002 até hoje, o GESSAE já realizou uma série de reuniões mensais e sete seminários comtemas variados como intervenção do serviço social no processo de adesão do usuário; direito reprodutivo dos portadores de HIV/aids; as novas constituições familiares na contemporaneidade; o serviço social frente à epidemia de HIV/aids na juventude; e o desafio do serviço social na globalização: discutindo SUS, SUAS e ações de enfretamento da questão social.

 

Fátima Bugolin em atividade externa com agentes de prevenção em São Paulo

Contato com ONGs
Um outro papel importante realizado pelo assistente social é a relação com as organizações não-governamentais (ONGs). No SAE Cidade Líder II, na Zona Leste da capital paulista, o serviço sempre manteve uma relação de parceria com as ONGs da região, entre elas o Instituto Vida Nova, a Ação Univida, o CEFRAN e a RNP+. “Existem trocas, participação no conselho gestor e sempre que necessário subsidiamos treinamentos e materiais educativos”, conta Fátima Bugolin, assistente social do SAE.

Diante da complexidade da doença, tanto no IIER quanto no SAE, os casos de pacientes são discutidos com a equipe multidisciplinar pensando sempre em formas de intervenção. Para Fátima, o trabalho com o portador só é possível quando se entende a totalidade das questões envolvidas no seu cotidiano. “Cada caso exige uma busca constante de recursos sejam jurídicos, sociais, redes familiares e ONGs”.

Para atuar nessa totalidade, o assistente social utiliza diferentes formas de abordagem. No caso do SAE Cidade Líder II, o trabalho possibilita umtrânsito permanente entre assistência e prevenção. Fátima Bugolin realiza o trabalho de “porta” atendendo as diversas demandas trazidas pelos usuários; coordena dois projetos com populações específicas (“Tudo de Bom” – para profissionais do sexo e o “HSH Cidadania Arco-Iris” – para o público gay); atua com agentes de prevenção; faz acolhimento de casos novos, recepção e acompanhamento de estágio para diversos profissionais; além da busca ativa de crianças, adolescentes e gestantes.

 

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