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Solução » Solução n.10

12/2005

A associação de inibidores da protease com outros medicamentos

Conheça as principais drogas que interagem com os IP, classe de anti-retroviral considerada o maior avanço
da terapia contra aids até o momento

Os Inibidores da Protease (IP) representaram um grande avanço no tratamento dos portadores do HIV. Essa classe de anti-retroviral chegou ao Brasil em 1996. Saquinavir, ritonavir e indinavir foram os primeiros encontrados por aqui, depois vieram nelfinavir, amprenavir, lopinavir/ r e atazanavir.

O infectologista Robson Camargo, coordenador do Serviço Especializado em DST/ Aids de Sapopemba na cidade de São Paulo, lembra do aumento da sobrevida e da melhoria de qualidade de vida dos portadores do HIV após a introdução dos IP na terapia anti-aids. “Antes dos esquemas com inibidores da protease, o tempo de vida dos pacientes era muito curto”, afirma o infectologista.

Se por um lado os IP significaram uma virada no tratamento da Aids, por outro, eles estão associados aos principais efeitos colaterais causados pela terapia anti-retroviral, como a lipodistrofia e o aumento das taxas de colesterol, triglicérides e insulina.

Monitoramento e ajuste de doses 
Os inibidores da protease interagem com diversas drogas usadas para outras patologias. Algumas devem ser evitadas (como os fitoterápicos erva de São João e cápsulas de alho), outras devem ter as doses ajustadas. Segundo Camargo, alguns desses medicamentos podem ser substituídos por outras classes de drogas, como os relacionados à hipertensão ou os anti-alérgicos, por exemplo. Há ainda aqueles que, apesar da interação existente, precisam ser co-administrados com os IP, como a rifampicina, usada no tratamento da tuberculose, explica o infectologista. “Nesses casos, para garantir o bom funcionamento do remédio no organismo, é preciso monitoramento e ajuste das doses dos medicamentos”, aconselha o infectologista, que faz um alerta: “Essas interações são as conhecidas no momento, mas pode haver muitas outras”.

Principais interações medicamentosas dos IP 
Os sete inibidores da protease interagem com os seguintes medicamentos: Rifampicina, sinvastatina, lovastatina, astemizol, terfenadina, cisaprida, midazolam, triazolam, derivados do ergot, erva de São João, cápsulas de alho, echinacea, ginseng, rifabutina, fenobarbital, fenitoína, carbamazepina, sildenafil. Existem ainda interações específicas de cada inibidor da protease.

SAIBA + 
Acesse www.aids.gov.br, clique em documentos e publicações e acesse o documento: Recomendações para Terapia Anti-Retroviral em Adultos e Adolescentes Infectados pelo HIV 2004 – Descrição

NOTAS
Falta de comunicação prejudica tratamento de soropositivos 
Um estudo sobre aderência anti-retroviral realizado pelo Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fundação Oswaldo Cruz (Cict-Fiocruz) constatou que a falta de diálogo é o principal motivo para que soropositivos não sigam corretamente o tratamento anti-retroviral. A pesquisa, publicada na edição de setembro/ outubro dos Cadernos da Saúde Pública, entrevistou quarenta médicos de hospitais públicos do Rio de Janeiro. Sem entender o estilo de vida de cada paciente, sem tempo de detalhar instruções e, ainda, com o receio de alertar sobre possíveis efeitos adversos, médicos prescrevem tratamentos difíceis de serem seguidos, e os pacientes ficam desorientados.

Para a psicóloga Mônica Malta, coordenadora da pesquisa, a aderência ao tratamento anti-retroviral depende não só do comprometimento de médicos, mas da formação de uma equipe multidisciplinar de profissionais de saúde que possa atender às inúmeras necessidades do paciente soropositivo. “Por ter um contato periódico com o paciente, já que realiza a distribuição dos medicamentos, o farmacêutico pode ser muito eficiente na conscientização sobre a aderência ao tratamento”, afirma Mônica. “A proximidade entre esse profissional e o paciente facilita o reconhecimento das necessidades individuais e permite maior adequação da terapia a cada caso”.

SAIBA +
Aderência à terapia anti-retroviral: um estudo qualitativo com médicos no Rio de Janeiro, Brasil acesse biblioteca

Farmacêutica é reitora da USP
A Universidade de São Paulo terá, pela primeira vez, em seus 71 anos de existência, uma mulher no comando da instituição. Em 26 de novembro, o Governador de São Paulo, Geraldo Alckimin confirmou o nome de Suely Vilela Sampaio, graduada em Farmácia Bioquímica pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, FCFRP, da USP Ribeirão Preto, para o cargo de reitora da Universidade.
Suely construiu toda a sua carreira acadêmica na USP de Ribeirão Preto. Desde 1996, é titular do Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas da FCFRP.

SAIBA + 
Universidade São Paulo www.usp.br 11 3091 3121 / 3091 3116

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