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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.22

05/2011

A coinfecção HIV/ Hepatites Virais

A hepatite C continua crescendo no mundo,mas novidades no tratamento renovam as esperanças das pessoas infectadas pelo HCV.

As hepatites virais representam uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pessoas vivendo com o HIV/aids. Como as vias de transmissão dos vírus das hepatites B (HBV) e C (HCV) e da imunodeficiência humana (HIV) são as mesmas, a prevalência de HBV e HCV é maior em soropositivos do que na população em geral. “Dados mundiais do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids) mostram que, dos 40 milhões de infectados pelo HIV no mundo, 4 a 5 milhões também possuem o vírus da hepatite C; e 2 a 4 milhões, o vírus da hepatite B”, afirma Ronaldo Hallal, Coordenador da área de Cuidado e Qualidade de Vida do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Coinfecções em alta
No Brasil, a prevalência da coinfecção HCV/HIV varia segundo fatores de risco, chegando a atingir 40%. As interações entre esses agravos são tantas que em fevereiro deste ano as coordenações de DST-Aids e Hepatites Virais se reuniram para a criação do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. “São agravos que guardam suas semelhanças, mas possuem diferenças e especificidades que devem ser resguardadas e garantidas. Portanto, não se trata de uma fusão de programas, mas da integração de ações para o fortalecimento da resposta em Aids, DSTs e Hepatites Virais”, explica Hallal.

Medidas de prevenção
Por terem vias de transmissão semelhantes, as medidas de prevenção devem ser as mesmas: promoção do sexo seguro, uso de materiais médico-odontológicos-cirúrgicos descartáveis ou esterilizados e não compartilhamento de instrumentos pérfurocortantes, como seringas. Para a hepatite B, existe uma vacina disponível na rede pública, recomendada para uso em pacientes com HIV/aids não infectados pelo HBV. Estão incluídos ainda na cobertura vacinal crianças de um a seis meses e jovens dos 11 aos 24 anos. A partir de 2012, jovens adultos dos 25 a 29 anos também poderão receber a vacina pelo SUS. Certos públicos são cobertos independente da idade, como manicures, portadores de DSTs, doenças no sangue, entre outros.

Doses maiores
Para os soropositivos, existem especificidades quanto à vacinação. “Os pacientes portadores do HIV ainda não vacinados devem receber um volume maior da vacina anti-hepatite B em cada dose (dois ml ao invés de um ml), além de uma dose a mais (quatro doses no total)”, explica Ricardo Andrade Carmo, infectologista e pesquisador do Centro de Treinamento e Referência em Doenças Infecciosas e Parasitárias Orestes Diniz e da Fundação Hemominas, em Belo Horizonte. Ao final do esquema de vacinação, deve ser realizada a testagem dos níveis de proteção da vacina (verificados com a titulação do anticorpo anti-HBs). “O objetivo é assegurar que o usuário esteja realmente protegido da hepatite B. Esta dosagem do anti-HBs deve ser feita 30 a 180 dias após a última dose da vacina. Aqueles com resultados insatisfatórios (títulos menores que 10UI/ml) devem receber um novo esquema vacinal”, diz Ricardo.

Tratamento e cura
Tanto a hepatite B quanto a C são tratáveis e têm cura, mas podem ter o estado clínico agravado pela imunodepressão pelo HIV/aids. Ricardo Andrade Carmo lembra ainda que pacientes coinfectados que utilizam antirretrovirais podem sofrer maior toxicidade hepática, o que exige um monitoramento clínico-laboratorial mais frequente por parte do infectologista.
É preciso estar atento às interações medicamentosas. “O interferon (peguilado ou não) e a ribavirina, combinados com alguns antirretrovirais, podem ter acentuados alguns de seus efeitos colaterais. Por exemplo, a associação da ribavirina com a zidovudina (AZT) deve ser evitada para diminuir os riscos de anemia, assim como a estavudina (d4T) e a didanosina (DDI), pelo risco aumentado de acidose metabólica”, explica Ricardo. O infectologista lembra que, durante o uso do interferon, há, naturalmente, CRT DST/Aids-SP. uma queda da contagem de CD4 (em níveis absolutos), mas geralmente sem associação com risco maior de infecções oportunistas.

Medicamento para hepatite B
Para a hepatite B, existem drogas que atuam contra o HIV e o HBV, como a lamivudina e o tenofovir, e drogas específicas para a hepatite B, como o interferon, o adefovir e o entecavir. “Porém, merecem um cuidado especial em seu manejo por causa das interações medicamentosas, efeitos colaterais e possibilidade de resistência cruzada com o HIV”, ressalta Ricardo.

INIBIDORES DE PROTEASE CONTRA A HEPATITE C
Assim como aconteceu na epidemia de HIV/aids em meados da década de 90, dois inibidores de protease prometem revolucionar o tratamento da hepatite C já a partir do segundo semestre de 2011. Os estudos com as duas novas drogas contra o HCV foram apresentados em março, durante a 18 ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), realizada em Boston. Os medicamentos estão em fase de aprovação pela Food and Drug Administration (FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos) e pela Anvisa.

Resultados promissores
Um coquetel com três medicamentos, incluindo um dos novos inibidores de protease, revelou-se mais eficiente que as atuais terapias contra a hepatite C. Estudiosos avaliaram cerca de mil pacientes. Um grupo controle recebeu interferon peguilado e ribavirina por 44 semanas, enquanto um segundo grupo obteve o tratamento acrescido do novo inibidor de protease durante 32 semanas e um terceiro grupo foi tratado com as três drogas por 44 semanas. Como resultado, os participantes dos grupos tratados com o a nova droga mostraram taxas bem mais elevadas de resposta ao tratamento (59% e 66% nos grupos 2 e 3, contra 21% no grupo de controle).

Coinfecção HIV/HCV
Os resultados da pesquisa com o outro inibidor de protease apresentado durante a CROI também apontam para taxas elevadas de resposta terapêutica, quando utilizado em combinação com o interferon peguilado e a ribavirina. Além disso, os pesquisadores confirmaram a eficácia e a segurança deste novo medicamento em pacientes coinfectados HIV/HCV.
Mark Sulkowski, da Universidade Johns Hopkins e coautor do estudo, ressaltou que atazanavir e efavirenz foram considerados os antirretrovirais mais adequados para o uso concomitante com a nova droga. Outra novidade na área é o estudo de fase II do inibidor de integrase TMC435, realizado em pacientes com hepatite C virgens de tratamento. Os resultados mostram que o TMC435 foi seguro e bem tolerado clinicamente e estudos de fase III já foram iniciados.

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