Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids » Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids n.01

01/2004

A diferença entre quem se infectou pelo HIV por transmissão vertical ou horizontal

Marinella Della Negra
Supervisora da 2ª Unidade de Internação do
Instituto de Infectologia Emílio Ribas

Quando trabalhamos com adolescentes soropositivos, notamos que há, tanto na parte clínica como na psicossocial, uma grande diferença entre os adolescentes de transmissão vertical e adolescentes de transmissão horizontal.

Os adolescentes do primeiro grupo, ou seja, infectados através da transmissão mãe / filho, são adolescentes que durante sua vida já foram submetidos a seguimento e tratamento, deles próprios e de seus pais. Estão convivendo com pais doentes ou já são órfãos. São cuidados por familiares ou estão institucionalizados. Esta população é tratada com muito cuidado e poupada, na maioria das vezes, do seu diagnóstico, crescendo e chegando à adolescência sem ter o conhecimento do porquê do constante acompanhamento médico e da medicação utilizada.

Esses adolescentes, devido às condições em que são cercados durante o crescimento, apresentam, na maioria das vezes, um retardo em seu desenvolvimento psicossocial. Há uma resistência por parte de familiares e cuidadores da revelação diagnóstica, apesar da tentativa dos profissionais de saúde (médicos, psicólogos) de convencer os cuidadores do quanto é importante que o adolescente saiba da sua condição sorológica para que possa tomar as rédeas de seu próprio tratamento, de seu cuidado e do próximo.

Os adolescentes de transmissão horizontal, ou seja, infectados por via sexual, usuários de drogas endovenosas e infectados por sangue e hemoderivados, com exceção desses últimos, que têm por parte da família e do serviço de saúde um tratamento e cuidados semelhantes ao de transmissão vertical, apresentam um comportamento de sua parte e do serviço de saúde, totalmente diferente.

Os adolescentes infectados por via sexual e uso de drogas endovenosas não têm, via de regra, um atraso no desenvolvimento psicossocial. São, em sua maioria, originários de famílias desestruturadas e das quais não recebem apoio.

Quando esses adolescentes, por alguma razão, procuram o serviço de saúde e é pedido um teste para HIV (muitos são adolescentes grávidas que fazem o teste no pré-natal), o resultado lhe é passado sem nenhum preparo prévio, mesmo tendo este adolescente a mesma idade do adolescente de transmissão vertical, como se o fato de praticar sexo ou usar droga, os preparassem para receber um resultado deste porte.

Acredito que, devido ao aumento do número de adolescentes vivendo com HIV/AIDS, é a hora propícia para que, juntos, os profissionais de saúde e esses adolescentes discutam uma melhor abordagem e o melhor momento, por parte da equipe profissional e dos familiares em revelar o diagnóstico, para que possamos ter um resultado mais promissor no tratamento, na socialização e na qualidade de vida.

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