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Solução » Solução n.12

04/2006

“A gente precisa de uma área melhor”

Na farmácia ambulatorial do Pedro Ernesto, falta espaço e sobram idéias


A farmacêutica Flávia Manfredo, de 24 anos, é responsável pelo setor ambulatorial da Farmácia do Hospital Universitário Pedro Ernesto, o hospital-escola da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
No bairro de Vila Isabel, na zona norte, o local atende a mais de mil soropositivos, além dos pacientes de outros dez programas. A equipe não podia ser mais reduzida: com Flávia, há apenas um técnico. “Para funcionar bem, precisamos de pelo menos mais quatro pessoas”, calcula. No espaço de menos de cinco metros quadrados, contudo, não cabe mais ninguém. Entre o refrigerador, as prateleiras e a janela por onde os pacientes são atendidos, Flávia só pode circular com muito jogo de cintura.

No que a orientação aos pacientes de aids precisa ser especial?

Eles são muito carentes de informação. Por isso, estou escrevendo um informativo dirigido aos pacientes e outro dirigido aos médicos. Muitos soropositivos não sabem quando devem passar aqui para pegar o remédio. Se visitam o médico a cada três meses, têm que pegar o medicamento a cada 21 dias. Mas muitos esperam uma caixa acabar para só depois vir pegar a outra, enquanto outros pegam a mais. Esses dias mesmo, houve uma devolução porque o paciente morreu e o anti-retroviral estava estocado em casa… Não tem necessidade disso, até porque anti-retroviral não falta.

Quantos pacientes você atende?

De aids, são mais de mil, talvez mais de 1,3 mil. Quanto aos outros dez programas, não tenho como estimar. Nada aqui é informatizado, é impossível fazer essa conta.

E o Siclom?
Vamos ver se finalmente funciona! Esse computador que tenho aqui é só para enfeite. Já recebi o novo, estou esperando que seja instalado. Por enquanto, faço o cálculo do estoque meio no escuro; se vejo que vai faltar algum medicamento, corro para falar com o Sérgio Aquino.

Como é sua relação com os pacientes que vêm com mais freqüência?

A gente se aproxima muito. Já ganhei vários presentes… Algumas vezes, um deles começa adesabafar comigo enquanto a fila atrás dele aumenta.

Por que você resolveu fazer faculdade de farmácia?

Eu queria trabalhar com pesquisa na Fundação Oswaldo Cruz. O meu grande sonho era inventar um remédio que levasse o meu nome (risos). Era bem o sonho de quem acabou de entrar para a faculdade. Mas, no terceiro período, fiz um estágio no Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG) e me apaixonei por assistência farmacêutica. De lá, passei a estagiar num laboratório e me decepcionei. Então, estagiei aqui no Pedro Ernesto, até que me formei e fui contratada.

Você tem outros planos para sua vida profissional?
Quero fazer um mestrado em Saúde Coletiva. Estou pensando num projeto de pesquisa sobre a orientação aos pacientes com HIV; são tantos problemas, você fica tão solidário, que se envolve muito.

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