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Solução » Solução n.20

08/2007

A hora de engolir

No atendimento pediátrico, o ritual de passagem da solução ao comprimido

A farmacêutica Letícia Lemme, de 35 anos, é responsável pela Farmácia Ambulatorial do Instituto Fernandes Figueira (IFF), no Rio de Janeiro. A unidade, que é referência no atendimento a gestantes, crianças e adolescentes, atende atualmente cerca de 50 pacientes com HIV/ aids.

As crianças têm um contato direto com vocês?
Não. Nem elas nem os adolescentes. São os pais ou responsáveis que nos procuram. Na farmácia, somos quase 40 funcionários, mas no ambulatório apenas eu e dois técnicos, o Delmo Valpassos e o Anderson Selva. Os dois estão aqui há mais tempo do que eu e conhecem cada pai ou responsável pelos nomes.

Com que idade as crianças em terapia com ARVs têm deixado as soluções para tomar os comprimidos ou as cápsulas?
Varia. Tem criança de seis anos que já aceita engolir um comprimido, tem criança que não engole nem aos dez. Isso pode ser complicado para o adulto que vem buscar o medicamento, por causa do peso das soluções. Em geral, cada paciente leva, mensalmente, de cinco a dez frascos contendo entre 120 e 200 ml.

Fazendo as contas, pode chegar a dois litros de medicamento.
Isso quando é apenas uma criança. Outro dia, vimos que seria um sacrifício para um pai levar os frascos dos dois filhos, um de oito e o outro de dez anos. Conversamos com o mais velho e ele aceitou engolir os comprimidos ou as cápsulas. O pai voltou para falar com o médico, trocou a prescrição e saiu daqui com a metade do peso.

No que mais você costuma auxiliaros pacientes? 
Somos o último contato antes de ele ir para casa com o medicamento. Quando passa por aqui, o paciente tem sua última chance de tirar dúvidas. Podemos abrir a embalagem junto com ele, podemos ensiná-lo a usar. A seringa para líquidos, por exemplo, parece difícil para alguns.

Como você encara a responsabilidade do seu trabalho?
Nossa clientela é de risco, atendemos crianças e grávidas e qualquer erro pode ser muito grave. Isso me preocupa. Já aconteceu de eu estar em casa e ficar paranóica com medo de ter dispensado o medicamento errado…

Por que você fez Faculdade de Farmácia?

Também pensava em Química Industrial, mas escolhi Farmácia para trabalhar com gente. Sempre tive esse perfil e acredito que todo mundo deve procurar trabalhar do jeito que mais gosta.

SAIBA+
Instituto Fernandes Figueira (IFF)
Av. Rui Barbosa, 716 / Flamengo
Rio de Janeiro
(21) 2554-1700
www.iff.fiocruz.br

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