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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.11

12/2007

Centro de Testagem e Aconselhamento, uma radiografia

Uma pesquisa sobre os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) confirma a importância do CTA para promover o diagnóstico e para os municípios priorizarem o controle da epidemia. Mas alerta sobre a extensão limitada da rede no país: menos da metade (209) dos 427 municípios considerados prioritários pelo Ministério da Saúde para o controle da aids conta com o serviço, e 85% das cidades com mais de 25 casos de aids por 100 mil habitantes em 2005 não possuem CTA. A pesquisa encomendada pelo Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde foi elaborada por pesquisadores do Instituto de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SP), do CRT em DST e Aids (SP), da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia (SP) e da Faculdade de Medicina da USP.

O Diagnóstico Situacional dos Centros de Testagem e Aconselhamento do Brasil revela que os desafios para o fortalecimento da rede de CTA no país são inúmeros. “Precisamos aprimorar a estrutura dos serviços mais precários; incluir as populações prioritárias que encontram dificuldades de acesso; agilizar e desburocratizar a oferta de insumos de prevenção e dos exames para aumentar as taxas de retorno; e Centro de Testagem e Aconselhamento, uma radiografia garantir que a implantação de novos serviços ocorra antes que a epidemia ganhe dimensões alarmantes nos municípios. Hoje eles estão sendo implantados, em média, após 14 anos do surgimento dos primeiros casos”, afirma Alexandre Grangeiro, coordenador do estudo.

DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO
Embora todos os CTA devam realizar o diagnóstico sorológico de HIV e sífilis e a triagem sorológica para hepatites virais, apenas 25% deles oferecem o cardápio completo de sorologias. A pesquisa descobriu ainda que 70% dos CTA impõem algum tipo de dificuldade para o acesso aos insumos de prevenção, como a obrigatoriedade de identificação do paciente, a passagem por atendimento prévio ou a definição de cotas. A situação é mais grave no caso do gel lubrificante, não disponível em 70% dos serviços, e do kit de redução de danos, presente em apenas 16% dos CTA.

Os serviços apresentam ainda dificuldades em cumprir o prazo de 15 dias para a entrega de resultados. Apenas metade (53%) entrega o resultado negativo do HIV em até 15 dias. No caso do exame confirmatório, o índice cai para 28%. “Isso reflete nas baixas taxas de retorno de pacientes para o recebimento dos resultados, uma vez que apenas 23%dos serviços têm mais de 90% de retorno”, afirma Grangeiro.

Outro problema observado referese à dificuldade de acesso aos serviços por parte das populações mais vulneráveis, como profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas injetáveis. O estudo recomenda que ações como direito ao anonimato, a prática de CTA volante e a abertura dos serviços em horário estendido – após as 18 horas e nos finais de semana – “podem contribuir para um maior acesso dessas populações marginalizadas que já possuem a característica de não procurar os serviços de saúde por medo do preconceito”, diz o estudo.

RECURSOS HUMANOS
Em relação à estrutura dos serviços de testagem, a capacidade está longe do ideal, na medida em que 30% dos CTA não contam com todos os espaços necessários – salas de aconselhamento individual, de aconselhamento coletivo, de espera e de coleta.

Quando considerados os recursos humanos, 40% não atendem à recomendação do Ministério da Saúde de pelo menos oito pessoas na equipe. Em 19% dos serviços faltam profissionais responsáveis pela coleta e um terço não conta com o mínimo de quatro profissionais de nível superior. No entanto, quase 25% dos CTA têm mais de sete profissionais de nível superior e 22% possuem equipes com mais de 14 integrantes.

“Elaboramos uma lista com 13 recomendações básicas ao Ministério da Saúde que, se implantadas, poderão contribuir para a ampliação do diagnóstico do HIV, hepatites e outras DST e para o maior acesso aos insumos de prevenção”, afirma Alexandre Grangeiro. “Como os CTA apresentam uma diversidade enorme em relação à oferta de serviços, potencializar as características que conferem identidade a cada CTA pode permitir o aperfeiçoamento da rede nacional e a ampliação da oferta do diagnóstico e da prevenção no país”, conclui Grangeiro.

RECOMENDAÇÕES PARA MELHORAR A QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS NOS CTA:
1 Priorizar populações mais vulneráveis, garantido a equidade no acesso aos serviços.
2 Ampliar a rede de serviços, articulando estratégias de acesso universal e eqüitativo em áreas prioritárias.
3 Respeitar as capacidades e potencialidades de cada serviço.
4 Definir objetivamente normas de organização e operação.
5 Garantir a realização do diagnóstico da sífilis em todos os serviços.
6 Adequar as ações de prevenção à realidade epidemiológica do município.
7 Incentivar e apoiar as experiências bem sucedidas.
8 Estimular a articulação com outros serviços e com a sociedade civil.
9 Aumentar a oferta de sorologias.
10 Definir estratégias de divulgação dos CTA.
11 Reduzir as taxas de abandono na busca de resultados.
12 Ampliar a abrangência do SI-CTA, o sistema de informação específico desses serviços.
13 Envolver gestores estaduais e municipais e sociedade civil na resolução de problemas.

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