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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.19

06/2010

A Saúde da mulher que vive com HIV/aids

Até hoje nenhuma pesquisa foi capaz de verificar diferenças na dinâmica da replicação viral entre homens e mulheres, assim como já se sabe que a resposta à terapia antirretroviral é, de forma geral, semelhante em ambos os sexos. Sobre à influência do HIV na duração dos ciclos menstruais e antecipação da menopausa, os estudos ainda são controversos. O conhecimento disponível referente à repercussão do HIV nas mulheres deixa clara a necessidade de sensibilizar profissionais de saúde para questões de gênero específicas, visando a ações de prevenção e assistência mais direcionadas.

A infectologista Rita Manzano Sarti, assistente da Diretoria do Ambulatório e subinvestigadora da Unidade de Pesquisa de Medicamentos do Centro de Referência e Treinamento de São Paulo (CRT-DST/Aids-SP), ressalta que as especificidades e preocupações com a saúde da mulher soropositiva são tantas que o Programa Estadual elaborou um Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de DST/Aids no Estado de São Paulo.

Maternidade
Uma das metas consiste no melhor acesso dessas mulheres às ações de atenção à saúde sexual e reprodutiva. Para atingir este objetivo, o Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, em parceria com o Centro de Reprodução Assistida em Situações Especiais (CRASE) da Faculdade de Medicina do ABC, inaugurou, no último dia 22 de abril, o Programa de Reprodução Assistida para portadores de HIV/aids que desejam ter filhos. “O serviço atenderá casais soropositivos e sorodiscordantes provenientes de todo o Estado de São Paulo”, explica Rita.

A infectologista lembra ainda que o direito de não engravidar também deve ser garantido à mulher soropositiva. “Para estes casos, destaca-se a importância do planejamento familiar, com a oferta de outros métodos contraceptivos além do preservativo (hormonal, DIU, entre outros) e todas as demais orientações necessárias nos locais onde essas mulheres são atendidas”, diz. “Uma vez sabendo-se infectada pelo HIV, a mulher considera esse fator como decisão reprodutiva, tanto no desejo de ter como de não ter filho”, ressalta.

O processo de adoecer feminino
Ao lado das especificidades relacionadas à maternidade, somam-se outras questões. Identificadas tardiamente como população também vulnerável à exposição ao HIV, as mulheres ainda se encontram em condições de dependência econômica e emocional aos parceiros que, além de afastar possibilidades de negociação de uso do pre ser vativo, ainda podem dificultar a capacidade delas de enfrentar o processo de adoecer feminino. “As mulheres muitas vezes enfrentam este processo solitariamente, tanto no ambiente familiar quanto no de trabalho. Elas nem sempre contam com apoio adequado do parceiro, mesmo que este tenha sido sua fonte de infecção”, afirma Débora Fontenelle, clínica geral do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), no Rio de Janeiro, e uma das responsáveis pela criação do grupo “Parceiras da Vida” (ver box).

A essa realidade inclui-se o fato de que muitas mulheres com filhos também infectados são as principais responsáveis pelo cuidado destas crianças e adolescentes. O papel da mulher como cuidadora da família, que se dedica pouco ao próprio cuidado, acaba afetando negativamente sua saúde. “Muitas mulheres têm tamanha disponibilidade de cuidado de seus filhos e/ou parceiro que chegam a impressionar os profissionais envolvidos”, conta Débora.

Simplesmente mulheres

Muitos profissionais de saúde, entretanto, ainda não estão suficientemente envolvidos com as demandas de gênero referentes à infecção pelo HIV. Ainda hoje se esbarra em posturas preconceituosas de modo a estigmatizar determinadas mulheres por suas profissões ou formas como exercem sua sexualidade. Essa situação pode ser observada nas diferenças dos atendimentos a prostitutas e donas-de-casa. “A formação do profissional nem sempre fornece subsídios para atender às demandas específicas que surgem durante a assistência prestada a estas pessoas. O preconceito persiste, ainda que muitas vezes velado, durante a abordagem por parte dos profissionais”, afirma Débora Fontenelle.

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