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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.11

12/2007

Novidades e desafios em 2008

A cada ano que passa a terapia anti-retroviral ganha reforços, com o desenvolvimento de novos medicamentos, ampliando assim as alternativas de tratamento, principalmente àqueles pacientes que já não respondem mais aos ARVs disponíveis. E 2008 não será exceção, uma vez que acaba de ser incorporado ao Consenso de Terapia do Brasil, o darunavir, um inibidor de protease recomendado para uso em pacientes com múltiplas falhas.

Mas, para ser bem sucedido, o tratamento contra aids não depende apenas de medicamentos. Para enfrentar um dos maiores desafios atuais para o controle da doença, a adesão dos pacientes à terapia anti-retroviral, o Ministério da Saúde acaba de lançar um documento com orientações para os profissionais de saúde.

A revista Saber Viver foi investigar os novos instrumentos que, num futuro próximo, poderão ajudar a melhorar a qualidade de vida dos pacientes assistidos.

DARUNAVIR NO CONSENSO
No que diz respeito às descobertas científicas que estarão disponíveis em 2008, a incorporação do darunavir (TMC 114) à terapia anti-retroviral no Brasil vai trazer um alento àqueles pacientes que já estavam sem opção de tratamento devido às múltiplas resistências do HIV às drogas disponíveis. Associado a uma dose pequena de ritonavir, o darunavir mostrou resultados bastante promissores, ao reduzir a carga viral para níveis indetectáveis em 61% dos pacientes pesquisados. Além disso, o novo medicamento demonstrou ser um produto seguro, bem tolerado e bastante eficaz contra o HIV resistente.

“O darunavir possui estrutura nãopeptídica que contém em sua molécula um radical de sulfonamida e, portanto, deve ser utilizado com cuidado em pessoas com história de alergia a sulfas”, alerta o Consenso Terapêutico brasileiro, que teve sua última edição ratificada em outubro de 2007, pelo Comitê Assessor do Ministério da Saúde. “A apresentação é de compridos de 300 mg e a dose indicada é de dois comprimidos (600 mg) co-adminstrados com 100 mg de RTV a cada 12 horas, preferencialmente com alimentos”, continua o texto. “Devido à sua comprovada eficácia como droga de resgate e ao seu alto custo, o DRV está sendo considerado por este Comitê como uma droga reservada para casos de multirresistência”, afirma o documento, lembrando aos profissionais de saúde que o darunavir não deve ser usado em monoterapia funcional, ou seja, sem acompanhamento de outra droga ativa.

O INOVADOR RALTEGRAVIR
Além do darunavir, outros dois medicamentos estão sendo disponibilizados para tratamento de pacientes com histórico de múltipla resistência: o maraviroc (Celsentri) –inibidor de CCR5, uma nova classe de medicamentos – e o raltegravir (Isentress) –inibidor de Integrase, que também atua de forma inovadora no combate ao HIV. Os dois já foram aprovados pelo FDA – agência americana que regulamenta remédios e alimentos – mas aguardam liberação da Anvisa para serem comercializados no Brasil.

“O raltegravir é o principal evento terapêutico desde a aprovação para uso clínico dos inibidores de protease em 1995”, comemora o infectologista Mauro Schechter, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Age contra todos os tipos de HIV existentes no mundo, tem uma enorme potência quando comparado aos demais ARVs, o que possibilita uma queda muito rápida da carga viral, e os efeitos colaterais são praticamente os mesmos que os observados em pacientes que tomaram placebo, durante os estudos clínicos”, garante Schechter.

Por se tratar de um inibidor de integrase, o raltegravir impede que o vírus integre seu material genético nas células humanas. “Atualmente, este novo medicamento será utilizado apenas como terapia de resgate para pacientes com poucas opções de tratamento, mas há estudos investigando o uso de raltegravir para o início de tratamento, em substituição ao efavirenz, uma vez que apresenta menos efeitos colaterais”, diz Mauro Schechter.

ESTAVUDINA E ZIDOVUDINA EM BAIXA
Além de novos medicamentos, outras mudanças no tratamento começam a ganhar força na comunidade científica internacional. Como a retirada do estavudina da terapia combinada, em função dos seus efeitos colaterais. Os cientistas recomendam também que o zidovudina deixe de ser utilizado como medicamento de primeira linha.

“Para o início de terapia, o lamivudina continua sendo a melhor opção, mas há uma corrente que defende o seu uso com o tenofovir e outra com o abacavir. Como terceira droga, o efavirenz ainda é o medicamento mais utilizado, seguido do lopinavir/ ritonavir e do atazanavir”, afirma Mauro Schechter.

RECOMENDAÇÕES PARA O INÍCIO DA TERAPIA
Outra mudança esperada para os próximos anos é em relação à definição do melhor momento para o início do tratamento. Um estudo que começa em 2008 pretende avaliar esta questão. “Tudo indica que a sugestão seja para o início mais precoce da terapia anti-retroviral, independente do número de CD4. Acreditase que com isso se possam reduzir os riscos de doenças cardiovasculares e metabólicas, hoje responsáveis por grande parte dos óbitos por aids no mundo”, diz Schechter. O Comitê Assessor do Ministério da Saúde, responsável pelo Consenso de Terapia brasileiro, já recomenda o início mais precoce do tratamento para pacientes assintomáticos com CD4 entre 200 e 350/mm3. Espera-se, com isso, evitar que a contagem de CD4 se aproxime de 200/mm3.

A infectologista Márcia Rachid, da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, lembra, no entanto, que o Consenso de Terapia brasileiro recomenda o início do tratamento em pacientes assintomáticos, somente após eles entenderem e aceitarem a importância da adesão. “A adesão é um objetivo que deve ser buscado pelas equipes e serviços de saúde, estabelecendo-se uma relação de coresponsabilidade entre os profissionais e o paciente”, afirma Rachid. “O mais importante é definir o momento ideal para início da terapia, não só em relação à indicação médica, mas, principalmente, levando em consideração as expectativas do paciente e seu potencial de adesão para atingir pleno sucesso terapêutico” diz a infectologista.

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