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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.10

09/2007

Acidentes no local de trabalho: como agir nesta situação

Não são muitos, mas até 2004, 103 profissionais de saúde já haviam sido infectados pelo HIV no exercício do trabalho e outros 219 prováveis casos foram publicados em todo mundo.

Os acidentes ocupacionais podem ser facilmente evitados. Para isso recomenda-se o uso de protetores, como luvas e máscaras, e atenção máxima na manipulação de agulhas e outros materiais cortantes. Logo após a ocorrência do acidente, o profissional deve lavar bem a área atingida para reduzir o risco de infecção não apenas do HIV, mas de outras doenças, como as hepatites B e C.

Caso o acidente ocorra com material biológico sabidamente contaminado, o profissional de saúde deve iniciar imediatamente o tratamento profilático com anti-retrovirais. “O tratamento tem duração de um mês, deve ser iniciado o mais rápido possível e é composto basicamente de Biovir (AZT+3TC) com Kaletra, ou com Indinavir/Ritonavir. Também é importante tomar a vacina da hepatite B e fazer o acompanhamento para hepatite C. Todo serviço de saúde tem um procedimento padrão para esse tipo de situação, que é regulamentado pelas secretarias municipais de saúde”, afirma Monica Merçon, infectologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

QUANDO INICIAR A PROFILAXIA

A profilaxia deve ser iniciada no máximo até as primeiras 72 horas após o acidente e sua eficácia não é total. Embora apenas o AZT tenha demonstrado benefício em estudos, a utilização de outros antiretrovirais, nesses casos, pode me lhorar a cobertura contra possíveis vírus resistentes.

O profissional que se recusar a realizar a quimioprofilaxia ou outros procedimentos necessários pósexposição (como por exemplo, coleta de exames sorológicos e laboratoriais), deverá assinar um documento onde esteja claramente explicitado que todas as informações foram fornecidas no seu atendimento sobre os riscos da exposição e os riscos e benefícios da conduta indicada.

A IMPORTÂNCIA DOS TESTES RÁPIDOS

Para aqueles profissionais que sofreram exposições de menor risco, deve-se utilizar o teste rápido anti-HIV no paciente-fonte para confirmar ou não a infecção pelo HIV antes de iniciar a profilaxia.

Caso isso não seja possível, o melhor é entrar com o esquema utilizado para os casos de material biológico contaminado.
O profissional de saúde deve, no entanto, ser atendido por médicos, de preferência especialistas na área de HIV/aids. A falta de um especialista no momento imediato do atendimento pós-exposição, entretanto, não deve ser razão para retardar o início da quimioprofilaxia.
Vale lembrar que, como a profilaxia com anti-retrovirais não impede 100% a infecção, as medidas de prevenção são ainda a melhor forma de evitar a exposição ao HIV.

Fonte: Recomendações para Atendimento e Acompanhamento de Exposição Ocupacional a Material Biológico: HIV e Hepatites B e C / Ministério da Saúde

ÉTICA, ODONTOLOGIA E AIDS

Uma das reclamações mais freqüentes de pessoas vivendo com HIV/aids é a recusa do atendimento odontológico.

Esse procedimento deve ser denunciado aos conselhos regionais de odontologia.

Para o cirurgião-dentista Arley Silva, especialista em HIV/aids, as normas de controle de infecções devem ser seguidas por todos os dentistas e para todos os pacientes, sem nenhum tipo de discriminação. “Um paciente pode saber que é soropositivo e não revelar para o profissional, saber e falar, e pode não saber, o que é mais comum. Se as normas forem seguidas, tanto os dentistas
quanto os pacientes estarão protegidos”, afirma Arley.

PRINCIPAIS NORMAS DE CONTROLE DE INFECÇÕES:

1- Esterilização por meio do auto-clave. Quando utilizar a estufa, o ciclo de esterilização (1 hora e meia) não pode ser interrompido.

2- Máscara, avental, gorro, luvas e óculos com todos os pacientes. Toma-se como padrão de segurança a utilização de uma máscara por período do dia, e de um par de luvas por paciente.

3- Cada dentista deve ter cinco jogos de instrumentais para dar tempo à esterilização.

4- A carteira de vacinação, principalmente contra a hepatite B, deve estar em dia.

Arley Silva dá ainda algumas dicas para redução de custos: utilizar pvc, daqueles comprados em supermercados, para cobrir os equipamentos e canudos cortados como capa de seringa tríplice.

“Os profissionais podem procurar o Conselho Regional de Odontologia para obterem os manuais existentes sobre doenças infecciosas, ou acessar o site do Ministério da Saúde e buscar Conduta Odontológica para Pacientes com HIV e Normas de Biossegurança, com ilustrações”, sugere.

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