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Saber Viver » Saber Viver n.08

02/2001

Acupuntura

Uma aliada no tratamento anti-Aids

Sempre ouvimos falar que, a partir do surgimento da chamada terapia tríplice anti-Aids, as pessoas portadoras do HIV passaram a ter uma maior expectativa de vida. Sem dúvida, tomar os anti-retrovirais corretamente é a primeira e fundamental etapa na luta contra o HIV. Mas podemos ir muito além disso. Mais do que tempo de vida, hoje, quem tem o vírus da Aids quer viver melhor. Para isso sabemos que é necessário não só combater o vírus mas também promover a saúde do corpo e da mente. Desde o início, a Saber Viver vem mostrando o quanto o apoio psicológico, a alimentação e a atividade física, quando bem orientados, são importantes para uma vida saudável. Agora chegou a hora de mostrar a vocês o que muitas pessoas que vivem com o HIV já conhecem: os benefícios das terapias conhecidas como complementares. Vamos começar pela acupuntura.
A acupuntura é uma técnica terapêutica da medicina oriental em que pequenas agulhas são espetadas no corpo para ativar seus pontos vitais. Para a medicina oriental, o corpo, a mente e as emoções são indissolúveis. Nós somos uma unidade. Então, se uma doença como a Aids está atacando o nosso organismo, isso vai se refletir nas nossas emoções. Assim como o lado emocional também influencia o físico. O tratamento pela acupuntura ajuda o paciente a reencontrar o equilíbrio energético de seu corpo como um todo, reunindo físico e mente. O reequilíbrio orgânico vem em conseqüência do reequilíbrio energético. Na prática, o paciente sente um bem estar que vai se refletir na saúde do seu organismo, auxiliando inclusive a reestruturação do seu sistema imunológico.

Estimular as defesas do organismo
Cláudio Aquino, médico carioca que se utiliza da acupuntura entre outras terapias para tratar pacientes portadores do HIV, diz que a Aids, como todas as doenças, é multifatorial: “O HIV é um fator necessário para a doença, mas não é suficiente. Sabemos que vários fatores influenciam no processo da Aids. O sistema imunológico é suscetível à alimentação, à emoção e ao stress. O tratamento também deve ser multifatorial. A medicina alopática utiliza os medicamentos anti-retrovirais para atacar o vírus HIV, mas possui poucos medicamentos que fortalecem diretamente o sistema imunológico. A medicina vibracional, que inclui a acupuntura e a homeopatia, atua estimulando diretamente as defesas do organismo. No caso de uma pessoa HIV positiva, o ideal é que se utilize simultaneamente a medicina alopática e a vibracional. Por um lado, com as drogas químicas, conseguimos segurar o risco de vida, o risco de infecções, e por outro lado, com a medicina vibracional, fortalecemos o organismo. Na acupuntura, por exemplo, existem pontos específicos que estimulam o sistema imunológico”.

Melhor qualidade de vida

No Centro de Referência e Tratamento (CRT-DST/Aids), em São Paulo, a acupuntura tem sido usada, com sucesso, para minimizar os efeitos colaterais causados pelos medicamentos anti-Aids, além de auxiliar no combate de algumas doenças oportunistas decorrentes da infecção pelo HIV. O médico Remo Rotela Jr. atende semanalmente 27 pessoas portadoras do HIV em um ambulatório de acupuntura improvisado no CRT.

Além das agulhas, ele utiliza bastões de moxabustão para aquecer pontos energéticos do corpo, frascos de vidro para aplicação de ventosas e um aparelho para eletroacupuntura. Remo Rotela tem notado uma indiscutível melhora na qualidade de vida de seus pacientes, muitos com depressão e síndrome de ansiedade, alguns dependentes de drogas. “As diarréias, náuseas e vômitos, decorrentes do uso de anti-retrovirais, tornam-se muito menos freqüentes com algumas sessões de acupuntura e moxabustão. Problemas respiratórios também podem ser tratados com acupuntura, muitas vezes em conjunto com ventosas. Os edemas e dores decorrentes das lesões do Sarcoma de Kaposi melhoram muito com a utilização do aparelho de eletroacupuntura”, afirma o médico acupunturista. Em seu ambulatório, encontra-se uma grande diversidade de males sendo tratados, mas pacientes que sofrem de neuropatia periférica, efeito colateral provocado por alguns retrovirais, são maioria.

Há 3 anos, Hugo Hagstron (foto) toma medicamentos para combater uma dormência crônica nos pés e nas mãos e câimbras constantes, sintomas da neuropatia periférica. Nos últimos tempos, esses medicamentos já não estavam mais surtindo efeito. Desde que iniciou o tratamento de acupuntura no CRT, há 2 meses, Hugo melhorou muito. “Agora a intensidade é muito menor e passo horas sem sentir nada. A acupuntura também diminuiu a minha ansiedade. Eu antes tinha um pouco de ojeriza às agulhas, mas venci a resistência”, diz ele.

Tácito Molica (foto) também sofre com este efeito colateral que faz com que seus pés e mãos fiquem muito doloridos: “Depois de 4 meses de acupuntura, as dores das mãos sumiram e os pés só doem quando ando muito. Além disso também estou conseguindo dormir melhor”.

Ana Rita, há 2 anos, mal conseguia pisar, conseqüência da neuropatia periférica: “Minha planta do pé estava super sensível, dando choque. Tomei todos os remédios que me indicaram, mas nada adiantou e ainda piorou a minha ansiedade. Foi maravilhoso descobrir a acupuntura do CRT. Na primeira sessão já senti diferença. Depois de 3 sessões melhorou muito. Já consigo até usar salto alto”.

Com esperança de ter uma melhor qualidade de vida, as pessoas portadoras do HIV, estão saindo em busca de alternativas que possam colaborar no tratamento anti-Aids. Muitos encontraram na acupuntura uma grande aliada. O importante é saber que a sua saúde depende sobretudo de você.

Enquanto no Rio de Janeiro a implantação de um serviço de acupuntura na rede pública, específico para pacientes portadores do HIV, ainda está em estudos, em São Paulo, o Centro de Referência e Tratamento (CRT-DST/Aids) oferece este serviço gratuito há 5 meses. Anote o endereço: Rua Santa Cruz, 81 Vila Mariana. São Paulo – SP


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