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Solução » Solução n.08

08/2005

Aderência total em combate ao HIV

Projeto multidisciplinar incentiva, em Porto Alegre,
a adesão dos pacientes ao tratamento com antiretrovirais

Um dos grandes desafios enfrentados pelos profissionais que atuam na administração da terapia antiretroviral de combate ao HIV/aids é obter a adesão do paciente. O Serviço de Infectologia do Hospital São Lucas, da PUC/RS, adota o Projeto Aderência Total, implementado nos moldes do Linck Project, da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos. A iniciativa reúne profissionais e acadêmicos das áreas de medicina, farmácia, enfermagem, psicologia e serviço social ligados ao hospital ou à universidade. A cada última quinta-feira de cada mês, eles se revezam em palestras destinadas aos pacientes HIV+, seus familiares e amigos, abordando temas variados, como nutrição, atividade física, direitos e deveres do portador do HIV, assumir-se publicamente soropositivo, etc, seguidas de orientação específica na área farmacêutica.

O caráter multidisciplinar da estratégia, que reúne em média 50 pacientes por sessão, tem demonstrado bons resultados: “A aids é uma doença multidisciplinar. É importante que o paciente tenha orientação médica, receba ajuda do farmacêutico sobre os remédios e apoio emocional de um psicólogo, além de conhecer seus direitos e deveres com um assistente social”, explica a médica Cândida Neves, coordenadora do projeto. Para ela, o trabalho deixa o paciente melhor assistido e agiliza o atendimento, que não fica concentrado na consulta médica.

Uma terapia difícil
“É difícil para o paciente seguir a prescrição médica da terapia anti-retroviral”, explica Maria Cristina Werlang, da Faculdade de Farmácia da PUCRS, farmacêutica do projeto. Segundo ela, entre as maiores dificuldades estão a difícil nomenclatura dos anti-retrovirais, o tratamento prolongado – com vários remédios administrados ao longo do dia, com horários e peculiaridades diferentes -, as interações com alimentos e/ou outros medicamentos, os efeitos colaterais, além dos aspectos psicossociais.

Werlang defende que a orientação farmacêutica é importante para que o paciente use a medicação corretamente e se conscientize de que a não adesão pode resultar na resistência do vírus aos medicamentos, comprometendo o tratamento como um todo. “Se a pessoa entende a importância da adesão, ela segue a prescrição com mais facilidade”. Além disso, diz ela, através da orientação, evita-se que o paciente adote “terapias alternativas” que comprometam a eficácia do tratamento.

Mão dupla
Cristina sustenta que a idéia também contribui para a formação do farmacêutico: “Na prática da farmácia, a relação com o paciente vem se tornando cada vez mais presente”, diz, lembrando que o projeto tem atraído um bom número de acadêmicos. Em outra via, ela acredita que, ao promover adesão à prescrição médica através da prática da assistência farmacêutica, o trabalho garante o sucesso da terapia e promove a melhoria da qualidade de vida entre aqueles que vivem com HIV/aids.

SAIBA +
Projeto Aderência Total
Serviço de Infectologia do Hospital São Lucas, da PUC/RS:
Tel.: 51 3336.1235
candidan@terra.com.br / cristina.werlang@pucrs.br

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