Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids » Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids n.01

01/2004

Adolescentes e o tratamento antiretroviral

Jorge Andrade Pinto
Prof. Adjunto do Departamento de Pediatria e Coordenador do
grupo de aids materno infantil da Faculdade de Medicina da UFMG

O adolescente infectado pelo HIV através de transmissão sexual ou uso de drogas injetáveis, após a puberdade, parece ter curso clínico semelhante ao do adulto. Entretanto, um número crescente de crianças infectadas perinatalmente pelo HIV está atingindo a adolescência e apresenta curso clínico diferente dos adolescentes infectados mais tardiamente.

A prescrição de medicação anti-retroviral deve ser adaptada de acordo com o estadiamento da puberdade. Para isto, utiliza-se a escala de Tanner. O adolescente nas fases iniciais da puberdade (Tanner I e II) deve ser tratado segundo as recomendações pediátricas, enquanto aquele em fase adiantada de maturação sexual (Tanner V) deve seguir as recomendações estabelecidas para os adultos. Nas fases intermediárias (Tanner III e IV), o tratamento deve ser individualizado a critério médico. As rápidas transformações biológicas observadas nos adolescentes requerem adequações posológicas freqüentes, monitorando toxicidade e eficácia do regime anti-retroviral em uso.

Os adolescentes precisam conhecer sua condição de infectados pelo HIV e ser totalmente informados sobre os diferentes aspectos e implicações da infecção, a fim de cumprirem adequadamente as orientações médicas. Além disso, necessitam ser orientados sobre os aspectos de sua sexualidade e os riscos de transmissão sexual aos seus parceiros. Finalmente, devem ser encorajados a envolver seus pais ou responsáveis em seu atendimento.

A adesão do adolescente à terapia anti-retroviral sofre a influência de algumas peculiariedades observadas nessa faixa etária, tais como: a negação e o medo de sua condição de infectado pelo HIV; a desinformação; o comprometimento da auto-estima; o questionamento sobre o sistema de saúde e a eficácia da terapêutica e as dificuldades em obter apoio familiar e social.
Com a finalidade de melhorar o acompanhamento clínico e a adesão ao tratamento, sugerem-se as seguintes estratégias:

 Preparar adequadamente o adolescente para a revelação do diagnóstico, de preferência com suporte psicológico;
 Negociar um plano de tratamento em que haja envolvimento e compromisso do adolescente, informando-o adequadamente sobre questões ligadas ao prognóstico;
 Buscar a participação da família, amigos e, eventualmente, de instituições para apoiá-lo durante seu tratamento;
 Estimular a criação de grupos de discussão entre a clientela de adolescentes atendida pelo serviço;
 Na escolha do regime anti-retroviral, considerar não somente a potência, mas também a viabilidade do esquema, levando em conta a comodidade posológica;
 Esclarecer sobre a possibilidade de efeitos colaterais e conduta frente a eles.

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