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Circulador » Circulador n.02

11/2005

Adolescentro

O adolescente no centro das ações

Projeto da SMS investe na formação de adolescentes valorizando a diversidade e o protagonismo juvenil

Jovens e adultos reunidos para planejar, discutir, executar e avaliar as ações desenvolvidas para a promoção de saúde do adolescente. O Adolescentro, projeto da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS), acredita que assim se constrói um trabalho de qualidade. Inaugurado em 2001, em dois postos de saúde do complexo da Maré, o projeto teve como parceiro o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré – CEASM. A parceria com a comunidade foi fundamental para o sucesso da iniciativa, como explica Dilma Medeiros, atual coordenadora do Adolescentro Paulo Freire, em São Conrado: “Valorizar a cultura local enriquece o projeto e permite um maior alcance de suas ações.
Neste sentido, a participação dos jovens tem proporcionado um enorme aprendizado para toda a equipe envolvida. Os adolescentes trazem para o projeto as especificidades da comunidade, e os profissionais têm a oportunidade de repensar a sua prática”. Para Dilma, a contribuição dos jovens ajuda a desfazer o mito de que o profissional é o dono do saber. “Ao ouvir o que eles têm a dizer, nós aprendemos muito, principalmente a respeitar e a lidar com a diversidade”, diz ela.

Aposta na diversidade para atingir diferentes grupos
Para conquistar os jovens para saúde, levando-os a freqüentar as unidades não apenas para as consultas, mas também para os grupos de discussão, o Adolescentro conta com uma equipe multidisciplinar capacitada e um grupo de jovens bolsistas. Valorizar a diversidade desse grupo é a estratégia adotada. “Ao selecionar a equipe de jovens promotores de saúde do projeto, temos que deixar o preconceito de lado para apostar naquele jovem que foge do padrão convencional”, revela Dilma, ressaltando que cada jovem promotor funciona como uma ponte entre o projeto e seu grupo social. “A idéia é contemplar as diversas formas de expressão e modos de vida: o pessoal do funk, do pagode, os atletas, os que estão no ensino médio e os fora da escola, os que estão mais envolvidos em situações de risco, mais articulados e os mais quietos, os homossexuais, as meninas que já são mães, os religiosos, todos devem ser acolhidos e respeitados em suas individualidades. A troca de potencialidades entre os adolescentes é muito estimulante”.
O resultado tem sido compensador. Muitos jovens que participaram do Adolescentro da Maré estão hoje na faculdade, trabalhando em ONGs, ajudando na implantação de outros Adolescentros, criando seus próprios projetos. “Eles deram um salto de qualidade em suas vidas e estão indo à luta sozinhos”, comemora Dilma.

Fortalecer parcerias para crescer
Para a assessora de Promoção de Saúde da SMS, Viviane Castello Branco, a participação ativa e criativa do jovem pode contribuir com outras áreas da saúde. “Além de atuar na promoção de saúde do adolescente, os jovens podem ser capacitados e acompanhados, sem paternalismo, para contribuir com outras ações de saúde e públicos diversos, de crianças a idosos. Uma estratégia interessante foi a capacitação dos jovens em Shantala, pela Coordenação do Prosad com outros programas é fundamental”, diz ela.
“Ampliar as ações do Adolescentro é a nossa meta”, observa a coordenadora do Adolescentro Paulo Freire, Dilma Medeiros. Inaugurado em 2004 para atender as comunidades da Rocinha, Vidigal e Vila Canoas,a finalidade desse novo centro é também capacitar profissionais e jovens para atuarem como promotores de saúde nas diferentes unidades do município. Em breve mais um Adolescentro será instalado, no CMS Américo Veloso, em Ramos. “Nosso objetivo é estimular a reflexão e a troca de experiências entre profissionais e jovens para a promover a saúde de uma forma integral, apostando sempre no protagonismo juvenil”, conclui Dilma.

Maré, por que não?
“Era muito difícil dizer que moro em um lugar chamado Maré. Tinha medo do preconceito com o lugar. Mas assumo que, às vezes, o preconceito nascia de mim. Depois de um certo tempo, vi que neste mar violento e abandonado surgiam pessoas em botes salva-vidas. Muitos eram exnáufragos que não morreram no meio da Maré. Eles vinham cheios de boa vontade e com novos amigos tentar salvar os que se afogavam. E em meio a muitos salvamentos, descobriram verdadeiros tesouros. Eu, então, percebi que o que mais gosto nesse mar de pessoas, ruas e lugares, é que em meio a tantas ondas, vendavais e cheias, há sempre lutadores sobreviventes.” Priscilla Monteiro de Andrade, jovem do Adolescentro

Eu mudei!
“Eu tinha uma visão muito técnica da enfermagem. Com o tempo, fui percebendo que minha profissão é muito mais do que cuidar de feridas do corpo. Devo essa mudança à minha relação com os jovens.
Aprendo com eles todos os dias. Quando ouço suas histórias percebo que há uma troca de saberes e acredito que este seja o caminho para construirmos um mundo melhor”.
Elaine Marinho, Enfermeira do Adolescentro Paulo Freire em São Conrado.

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