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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.18

03/2010

Apoio psicológico: fundamental para quem vive com HIV/aids

Profissionais auxiliam pacientes a encontrar recursos psíquicos para cuidar de si, sustentando tratamento e inventando formas de viver

Uma abordagem que integre aspectos médicos e psicossociais é fundamental para o sucesso do tratamento de pessoas que vivem com HIV/aids. É o que acredita a psicóloga Elaine Seidl, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília e coordenadora do Projeto Com-Vivência. Para ela, há momentos em que as questões psicossociais são mais urgentes do que as médicas. Nessas horas, o trabalho do profissional de psicologia faz toda a diferença.. “O propósito é que o psicólogo promova escuta ativa e identifique os efeitos da condição de soropositividade sobre a esfera psicológica”, explica.

Para isso, o profissional pode fazer uso de diversas abordagens, resumidas em individual e em grupo. “Essas duas modalidades principais podem se desdobrar em um leque de atividades: atendimento individual de orientação, aconselhamento focado em um tema específico, psicoterapia, atendimento em grupo fechado com tempo delimitado, rodas de conversa, grupos de salas de espera, entre outros”, afirma Eliane.

CEARÁ: UMA PARCERIA QUE GERA FRUTOS
Em 1999 o Serviço Social do Ambulatório do Hospital São José de Doenças Infecciosas, no Ceará, iniciou ações coletivas em saúde por meio de reuniões mensais, abertas à clientela vivendo com HIV/aids, com enfoque em temas como direitos e políticas sociais. Em contrapartida às sugestões do grupo, foi identificada a necessidade de trabalhar questões relativas à adesão, valorizando as potencialidades de cada membro do grupo. Assim, em fevereiro de 2006, foi criado o primeiro Grupo de Educadores em Adesão (GEA).

Autoconfiança
Um fator determinante para o sucesso da ação foi a construção de parcerias entre os próprios profissionais do Ambulatório. A psicóloga Aparecida Brandão acredita na ideia, por isso procura encaminhar seus pacientes ao grupo. “O paciente vai lidar com a história do outro que também é soropositivo, aprendendo a lidar melhor com a sua soropositividade. Aumentando a autoconfiança, consequentemente melhorando a adesão”, afirma.

Como muitas vezes faltam recursos e profissionais para reinamentos e oficinas na área de psicologia, o grupo acaba sendo uma oportunidade para esse tipo de trabalho. Os pacientes ficam mais otivados e com a autoestima elevada. “Acreditam ser capazes de fazer a sua história”, diz.

A experiência do programa deu tão certo que ele tem servido de modelo para outros Serviços Ambulatoriais Especializados.

Revelação e adesão
Para a psicóloga do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital dos Servidores do Rio de Janeiro, Mariana Darmont, a equipe de psicologia deve estar atenta tanto à revelação do diagnóstico, quanto à adesão ao tratamento. “Uma pessoa que hoje não tem problemas em tomar os remédios pode ter dificuldades de adesão em algum momento da vida. Existem todas as questões subjetivas ligadas à vida, suas crenças e representações que devem ser ouvidas pelos profissionais”, explica Mariana. “A adesão deve ser, antes de uma questão direcionada ao tratamento, uma questão direcionada à vida”, completa.
Constitui um trabalho difícil, sem verdades prontas ou certezas. Há quem prefira vivenciar a angústia a seu modo, por isso é necessário respeitar as vontades do paciente. “Não podemos esquecer que temos o limite do desejo do paciente em aceitar ou não as intervenções, ou mesmo de fazer uma escolha que gostaríamos que não fizesse, como abandonar o tratamento”, afirma Mariana.

Qualidade de vida
A psicóloga Eliane Seidl lembra que todo caso é único. “Temos pessoas que se beneficiam mais e outras menos dos atendimentos psicossociais”, explica. O importante é identificar dificuldades e demandas nessa área. Toda a equipe deve estar atenta aos casos que merecem encaminhamento. “Nossa meta, em suma, é a promoção da qualidade de vida da pessoa que vive com HIV/aids”, ressalta.

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