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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.21

12/2010

ARVs e crianças

Profissionais auxiliam a superar problemas relacionados à dificuldade de adesão no tratamento de crianças com HIV

 As dificuldades por parte das crianças que vivem com HIV e aids em aderir ao tratamento antirretroviral são muitas. As informações referentes à temática têm tamanha complexidade que, em 2009, foram in cluídas de forma mais incisiva no Guia de Tratamento Clínico da Infecção pelo HIV em Crianças, publicado pelo Departamento Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Além disso, foi lançado recentemente, pelo Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, o manual “Aids para Crianças”, que ensina como dialogar com elas.

Frequentemente, profissionais escutam queixas sobre a falta de medicações adaptadas às necessidades das crianças. “Por vezes o incômodo vem do tamanho das cápsulas – quando a criança já não pode mais utilizar a medicação líquida”, afirma a psicóloga Patrícia Ribeiro, do CTR/DIP Orestes Diniz, em Belo Horizonte/MG. Nesses casos, o trabalho realizado pela equipe da farmácia é de extrema importância. “A criança e seus cuidadores recebem dicas sobre como tornar a medicação mais fácil de deglutir ou de sabor mais agradável”, ressalta Patrícia.

O trabalho da farmácia
A farmacêutica do CTR/DIP Orestes Diniz, Sílvia Inácio, explica que, junto ao cuidador, a equipe da farmácia avalia como o medicamento está sendo administrado em casa. “Em geral, as pequenas dificuldades, como preparo da medicação, identificação do melhor instrumento para medida e como medir o volume, são facilmente sanadas”, afirma. O problema encontra-se na aceitação da criança. “O choro, a birra, “o fazer hora” tendem a levar o cuidador a ter dó, ficar irritado ou se envolver com outras atividades, ocorrendo as sucessivas perdas de doses”, explica.

 

Intervenções necessárias
Em situações complexas, o profissional realiza as intervenções necessárias. “A prática tem nos mostrado que, se iniciar a administração com o antirretroviral de sabor ruim, tomar um pouco de água, seguir com o de maior volume e finalizar com o de melhor sabor, as dificuldades amenizam a cada dose tomada até virar rotina”, afirma Sílvia.

A imunologista Norma Rubini, do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, no Rio de Janeiro, lembra que partir comprimidos pode interferir nos efeitos da droga. “Em casos de ausência de alternativa terapêutica, podem ser solicitados à farmácia hospitalar a manipulação e o fracionamento de comprimidos para apresentação em doses menores”, aconselha.

Efeitos adversos
Os efeitos adversos também correspondem a limitações da terapia antir – retroviral. Em geral, a intolerância se manifesta como distúrbio gastrointestinal, anemia, toxicidade hepática, erupção cutânea e alteração do metabo-lismo. “As principais estratégias para controle dos diferentes efeitos adversos incluem a redução da dose dentro do limite de eficácia terapêutica, a mudança do esquema antirretroviral, terapia medicamentosa, dieta e exercícios físicos”, afirma Norma.

Dificuldades subjetivas
Também existem questões de natureza subjetiva. Para a psicóloga Patrícia Ribeiro, de Belo Horizonte, a aceitação da doença por parte da família e da criança é um grande desafio. “Nesse sentido é que podemos entender de forma metafórica uma queixa que se apresenta comumente como dificuldade de engolir o remédio e, de resto, podemos dizer, de “engolir” a presença da aids”, afirma. É aí que entra a intervenção psicoterápica, que pode permitir à criança dar um novo sentido a essa realidade, tornado-a menos angustiante.

Incorporação de novos antirretrovirais
Rodrigo Zilli, assessor técnico do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, afirma que, para superar as dificuldades apresentadas, o Departamento está investindo, entre outras coisas, na incorporação de novos antirretrovirais e nas atualizações e ampliação do consenso de tratamento para crianças e adolescentes.

No quadro abaixo, Rodrigo Zilli detalha os critérios utilizados pelo governo para iniciar a terapia com antirretrovirais em crianças e os esquemas preferenciais para o inicio do tratamento.

 

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