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Solução » Solução n.12

04/2006

As farmácias mundo afora

Brasileira desvenda o papel do farmacêutico em
outros países do mundo

A farmacêutica Vera Lúcia Luzia já viu de perto o trabalho de profissionais em países do Caribe, da Europa e da África. Pesquisadora do Núcleo de Assistência Farmacêutica, vinculado ao Departamento de Ciências Biológicas da ENSP/Fiocruz, Vera Lúcia não realizou um estudo sistemático comparativo entre as farmácias que conheceu. Porém, recolheu valiosas impressões através de suas visitas informais aos colegas estrangeiros.

Ela explica que, em todo o mundo, o trabalho do profissional de farmácia pode ocorrer em três áreas: assistência, análises clínicas e indústria farmacêutica. Na área de análises clínicas, a competição, segundo ela,é muito grande; a indústria, por sua vez, absorve poucos profissionais; o maior mercado seria, portanto, o da assistência farmacêutica (atividade desenvolvida em unidades de saúde ou farmácias públicasou privadas).

Para Vera Lúcia, os países desenvolvidos já perceberam a expansão da assistência farmacêutica e investem nela. Em conseqüência, seus farmacêuticos são entendidos como profissionais de saúde na área dos medicamentos.

Os consumidores, por sua vez, como são mais conscientes de seus direitos, exigem qualidade de atendimento, motivando o aprimoramento do farmacêutico.

Na Europa, Vera observou que os farmacêuticos participam de ensaios clínicos de forma mais ativa do que no Brasil, tanto no desenho da pesquisa quanto na análise dos resultados. Também é comum desenvolverem pesquisas próprias, resultando num grande número de publicações. O atendimento também é mais ativo e comprometido.

Por exemplo, na maioria dos países desenvolvidos, é quase impossível um consumidor adquirir um medicamento controlado sem a apresentação da receita. Os farmacêuticos estão presentes nas farmácias e freqüentemente orientam os pacientes. Inversamente, na África, como não há médicos suficientes para atender à população, o farmacêutico chega a prescrever medicamentos. Também o fazem agentes de saúde e enfermeiros. Inclusive, em alguns países, esse procedimento já é previsto em lei. Em outros, a prática é corriqueira, apesar de irregular. Principalmente na região sub-saariana, como a estrutura de regulação sanitária é muito frágil, o comércio informal de medicamentos, inclusive importação, é comum. Ambulantes são constantemente vistos vendendo medicamentos.

Vera observou que essa prática também se estende aos anti-retrovirais.
Seja num ou noutro extremo, não deixa de ser primordial a atitude do profissional de farmácia diante das especificidades de cada paciente. Seja na África, na Europa ou no Brasil (este país nem tão desenvolvido, nem tão desordenado), a assistência farmacêutica se reinventa caso a caso.

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