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Solução » Solução n.06

04/2005

Associações perigosas

Medicamentos que comprometem a eficácia dos anti-retrovirais não devem ser utilizados por pessoas em tratamento contra a Aids

A combinação entre os antiretrovirais e drogas para outras patologias deve ser realizada com muita cautela, afirmam especialistas. Isso porque a interação medicamentosa entre alguns anti-retrovirais e outros remédios pode diminuir em até 70% a absorção dos medicamentos anti-aids no organismo.
De acordo com o infectologista José Valdez Madruga, responsável pela área de pesquisa clínica de novos medicamentos do Programa Estadual de DST/ Aids de São Paulo, é preciso tomar cuidado com o uso concomitante de certos anti-retrovirais e determinadas drogas para enxaqueca, tuberculose, gastrite, alergia, colesterol, convulsão, entre outras.

Anti-retrovirais interagem com muitas outras drogas
Freqüentemente, os médicos receitam medicamentos para amenizar o desconforto causado pelos efeitos colaterais dos anti-retrovirais. No entanto, alguns remédios, como, por exemplo, os que são usados contra gastrite e úlcera, que são inibidores da bomba de prótons, não podem ser associadas aos inibidores de protease. “O atazanavir não pode ser combinado com esses medicamentos”, ensina o médico.
Para evitar essas complicações, José Valdez recomenda aos farmacêuticos que consultem sempre as tabelas do Comitê Assessor para Terapia Antiretroviral de Adultos e Adolescentes, também conhecido como Consenso Brasileiro de Aids, o Dicionário de Especialidades Farmacêuticas (DEF) e as bulas dos remédios. “Esses profissionais precisam estar preparados para orientar os portadores do HIV”, adverte o infectologista do Programa Estadual de DST/AIDS.
Esper Kalls, infectologista da escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, considera o assunto tão complexo que apelidou a interação medicamentosa de medicina dos detalhes: “Os anti-retrovirais interagem, muito freqüentemente, com uma quantidade enorme de outras drogas”, afirma Kalls.

Alguns medicamentos que não podem ser administrados com os inibidores da protease, pois diminuem a potência dessa classe de anti-retrovirais.
Rifampicina, remédio usado para combater a tuberculose.
Anticoncepcionais orais à base de estrôgeno. As mulheres em tratamento com essa classe de anti-retrovirais devem usar as pílulas à base de progesterona.
Remédios para dormir a base de midazolan, como o Dormonid, também devem ser evitados.

Informações: Gabriela Waghabi, infectologista.

SAIBA +
Sobre as recomendações do Consenso Brasileiro de Aids, acesse
www.aids.gov.br e clique em tratamento e depois em documentos e publicações.
Dicionário de Especialidades Farmacêuticas (DEF 2004/ 2005) EPUB – Editora de Publicações Biomédicas

 

 

Siclom: uma necessidade

Sistema de controle logístico pode ajudar a evitar desabastecimento de anti-retrovirais

O Sistema de Controle Logístico de Medicamentos, Siclom, é um software de computador criado pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. O sistema permite que o Programa se mantenha atualizado em relação ao fornecimento de anti-retrovirais e exames laboratoriais dos pacientes em tratamento, nas várias regiões do país.
Em 1999, algumas unidades dispensadoras de anti-retrovirais receberam computadores com o Siclom instalado. Porém, o sistema nunca chegou a funcionar de maneira satisfatória. A fim de aperfeiçoa-lo, o Programa Nacional de DST/Aids optou por fazer uma nova versão, batizada Siclom 2, como explica Renato Girade, chefe da Unidade de Informática do PNDST/ Aids: “O novo programa é totalmente on-line e as atualizações são feitas instantaneamente. As unidades que ainda não tiverem computador e acesso à Internet serão providas desses insumos pelo Programa Nacional. Seguramente, até o final de 2005, 100% das unidades dispensadoras vão usar o Siclom”.
Um sistema logístico de anti-retrovirais informatizado é muito importante para o bom gerenciamento do Programa Nacional de Aids. Segundo Girade, “o Siclom pode evitar crises no abastecimento de medicamentos, porque ele controla o consumo de forma precisa”. Outro benefício será um banco de dados atualizado que poderá ajudar em pesquisas clínicas.

SAIBA +
Se sua unidade ainda não solicitou a senha
do Siclom no PNDST/Aids, acesse o site:
www.aids.gov/gerencial ou ligue 0800-612439 | (61) 448-8143

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