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Saber Viver » Saber Viver n.48

12/2011

Atendimentos que fazem a diferença

Foto de Paulo Múmia

“O trabalho da equipe de saúde do Hospital de Ipanema tem sido fundamental para a adesão ao tratamento”, diz Epifânio Correa, ao lado da assistente social Mabel Padilha.

No dia-a-dia do atendimento, médicos, enfermeiros, psicólogos, assis tentes sociais e outros profissionais da área da saúde contribuem para nossos cuidados e colaboram com nossa saúde, qualidade de vida e autoestima. As conversas entre pacientes e profissionais ou mesmo pequenas atenções no cotidiano do atendimento humanizam o tratamento da aids. Jade*, que se infectou em 1999 e já passou por ambulatórios de vários hos- pitais, destaca o atual acolhimento profissional recebido em Bauru, São Paulo. “Minha médica, Dra. Giovana, sempre pergunta: ‘Está tomando o remédio também à noite?’ Ela sempre tem palavras de encorajamento que me fazem refletir o quanto é importante o tratamento”, conta. Bernardo*, por sua vez, acredita que a aceitação e a força para encarar a doença vie- ram com a ajuda do acompanhamento psicológico. Foi um longo percurso, ele lembra. “O problema não é somente saber do resultado da soropositividade, é uma bagagem anterior de vida que vai ter que ser jogada fora e reiniciada com novos conceitos. Problemas vieram, tais como preconceito interno de não aceitação, preconceito ex terno da família e o término do casamento. O importante disso tudo é a busca da felicidade e de melhoria de vida”, diz. Essa busca, explica Bernardo, tem sido amparada por uma psicóloga. “Foi a pessoa que me ergueu e me fez ser esta pessoa que sou hoje: feliz, satisfeito com a vida e, por uns anos, batalhador em prol da causa em ajuda a outras pessoas vivendo na soropositividade”, explica.

Profissionais de saúde: companheiros de vida

Epifânio Correa, que faz tratamento há 11 anos no Hospital Geral de Ipanema, no Rio de Janeiro, conta que é muito bem atendido não só pelos psicólogos, como também pela equipe de assistência social. “A Sra. Mabel há muitos anos vem fazendo um belíssimo trabalho junto com o Sr. Gilberto, ajdando os portadores do HIV a fazer a adesão ao tratamento e a valorizar a autoestima. Além disso, sempre que possível, o grupo de apoio Gatahi, que funciona dentro do hospital, oferece uma cesta básica ao pacien- te que estiver passando por dificuldades na alimentação”, diz. A assistente social Mabel Padilha, citada por Epifânio, ressalta que o relacionamento que tem com os seus pacientes “sempre se pautou na confiança, no respeito, no carinho e principal mente no compromisso com a clareza do diagnóstico e da importância do empenho individual”. O resultado, segundo ela, é o saldo sempre positivo que os grupos do hospital alcançam. “É mágico o resultado dos grupos de apoio”, comemora. Epifânio destaca ainda os papéis importantes que os en fermeiros e médicos do Hospital Geral de Ipanema têm neste cenário de bom relacionamento entre profissionais e pacientes. “Atualmente temos a Dra Sayonara, uma excelente profissional, e a Dra Marianne, que é a minha médica. Ela também faz um belíssimo trabalho, procura nos ou- vir e nos dar toda a devida atenção”, diz. “Em relação à equipe de enfermagem, não temos do que reclamar. Todas as plantonistas, a Sra. Tânia e a Diana são super atenciosas”, completa.

Foto Paulo Múmia

“É necessário que os pacientes se sintam à vontade durante as consultas para que todo tipo de dúvida seja esclarecida”. Marianne Monteiro, infectologista.

Para a infectologista Marianne Monteiro é possível transformar a consulta em um encontro agradável através de um pouco de descontração, e diminuir, assim, a distância entre médicos e pacientes. “Para que essa relação se construa, des- taco três pontos: capacidade de ouvir o outro, informalidade e respeito mútuo. Durante as con- sultas, é preciso escutar bastante para entender a realida- de, que vai muito além dos li- vros e artigos científicos, e, desta forma, interagir positivamente”, diz. “Importante lem- brar que, muitas vezes, aquele momento no consultório é o momento único de compartilhar fatos, relacionados ou não à doença, que só ficarão entre o profissional e o paciente. Penso que é necessário que os pacientes se sintam à vontade durante as consultas para que todo tipo de dúvida seja esclarecida”, observa a infectologista. Sem se esquecer de todos aqueles que fazem parte do ambiente hospitalar, Nalva, usuária do Centro de Referência de DST/Aids de Santos, destaca: “Desde a faxineira à merendeira, das meninas da recepção aos enfermeiros; todos, até chegar aos médicos, são pessoas muito importantes em nossas vidas. Elas acabam se tornando a família que nunca tivemos”, afirma. “Sou cidadã positiva há mais de 20 anos e lutamos muito para termos um tratamento digno. Não considero a equipe do hospital apenas como profissional, mas sim como amigos, parceiros, companheiros e tudo que nós precisamos para manter nossa saúde”, completa Nalva.

* Nome fictício

Se você tem uma boa história para contar sobre a relação entre profissional de saúde e paciente, escreva para nós: contato@saberviver.org.br.

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