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Saber Viver » Saber Viver n.43

10/2008

Aumenta o número de idosos com HIV/aids

Campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids abordará o tema

Tendência contrária ao movimento de estabilização da epidemia de aids no Brasil, que desde 2000 apresenta uma redução no número de novos casos por ano, o aumento da prevalência da infecção pelo HIV entre pessoas com mais de 50 anos emerge como importante desafio à saúde pública. Segundo dados do Ministério da Saúde, a incidência de aids nesta população cresceu de 3,6 para 7,1 por 100 mil habitantes entre 1996 e 2006 – o que representa um aumento de 50%.
Alguns fatores podem ser associados a esta transição epidemiológica. O envelhecimento da população brasileira, o aumento da sobrevida das pessoas vivendo com HIV/aids e o acesso a medicamentos para distúrbios ou disfunções eréteis, que prolongam a atividade sexual de idosos, certamente colaboram para a maior incidência de casos em indivíduos com mais de 50 anos. Mas uma característica cultural muito importante não pode ser esquecida: esta população, que iniciou a vida sexual anteriormente ao surgimento da aids, não reconhece o risco de contrair a infecção e não está familiarizada ao uso do preservativo.
Dados de 2005 do Ministério da Saúde indicam que somente 37,5% dos indivíduos sexualmente ativos com mais de 50 anos fazem uso regular do preservativo com eventuais parceiros. Para prevenir a aids – e outras doenças sexualmente transmissíveis – é preciso aumentar esta adesão. Daí a necessidade de campanhas de prevenção especializadas, como a que o Ministério da Saúde lançará no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, 1º de dezembro.

Vencendo tabus e preconceitos
A advogada aposentada Beatriz Pacheco, de 59 anos, descobriu-se soropositiva há 11 anos e reconhece como a persistência de preconceitos prejudica ações de prevenção da aids. “Recebi o diagnóstico positivo para o HIV numa época em que a aids era associada a um comportamento promíscuo. Eu não me enquadrava nos chamados “grupos de risco” e por isso o uso de preservativo não fazia parte de minha vida. Mas meu antigo companheiro, que faleceu sem conhecer seu estado sorológico, contraiu o vírus durante uma transfusão de sangue e eu também fui infectada, através de relação sexual desprotegida”, conta.
Quando descobriu o diagnóstico, pelo menos cinco anos após a infecção, Beatriz vivia outro relacionamento estável, há um ano. Junto, o casal enfrentou a sorodiscordância com amor, coragem e sem preconceitos, até o falecimento do companheiro, em 2006. Hoje, Beatriz atua junto ao Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, que ajudou a fundar, contribuindo para o acolhimento das pessoas que vivem com HIV/aids e para o cuidado dos pacientes hospitalizados.
Para a ativista, o principal desafio na prevenção da aids entre pessoas com mais de 50 anos é a aceitação de que este grupo populacional tem vida sexual ativa e deve ser orientado sobre como se prevenir.

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