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Saber Viver » Saber Viver n.45

12/2009

Bem-vindo ao mercado de trabalho

ONGs apostam em projetos de capacitação e geração de renda e preparam o caminho para a independência financeira de pessoas vivendo com HIV/aids

Possibilitar que pessoas vivendo com HIV/aids pos sam inserir-se no mer cado de trabalho e ter a perspectiva de produzir e gerar renda é um desafio que muitas Organizações Não Governamentais (ONGs) estão dispostas a enfrentar. Nos últimos anos, ONGs, por meio de parcerias com o Departamento de DST e Aids do MS e Agências de Cooperação Internacionais, começaram a investir em projetos de capacitação pro fissional das pessoas soro positivas.
“A partir do momento que conseguimos ter um olhar diferenciado na descoberta da capacidade dessas pessoas, fortalecendo ações que complementam a prevenção, estamos contribuindo para o rompimento das barreiras do preconceito”, afirma Adilce da Conceição Silva Lima, Presidente e Coordenadora de Projetos Sociais da Associação Brasiliense de Combate à Aids – Grupo Arco-Íris.

Inclusão PositHIVa
O Arco-Íris tem investido, há alguns anos, em ações que visam à inclusão de seus participantes no mercado de trabalho. O projeto Inclusão PositHIVa é um exemplo. A iniciativa, que conta com apoio do MS, Usaid e Pact Brasil, busca capacitar pessoas vivendo com HIV/aids, oferecendo cursos profissionalizantes, como os de garçom e de corte e costura.
O aumento da renda dos participantes é um dos resultados do projeto. “Os que participaram dos cursos de bordado em pedraria e de customização foram encaminhados à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Trabalho do Distrito Federal para aquisição da carteira de artesão”, orgulha-se Adilce. Além de dar identidade ao trabalhador artesanal, a carteira oferece vantagens, como a participação em feiras promovidas por instituições que apoiam os artesãos.
Para Bruna*, as atividades são importantes para a autoestima do soropositivo. “Comecei nas oficinas como aluna e depois a diretora me chamou para atuar como monitora”, conta. “Esse espaço me mostrou que mesmo vivendo com HIV eu posso trabalhar. Eu descobri que sou capaz”, afirma.

A experiência da Bahia
O Gapa/Ba, também tem a postado em projetos de geração de renda. As oficinas de um projeto piloto que teve duração de um ano abriram novos horizontes para seus participantes.
Arislene Cerqueira sempre teve veia empreendedora. “Quando estava cansada de usar os mesmos acessórios, eu pegava as minhas bijuterias e modificava”, diz. Porém, foi através das oficinas que a jovem começou a desenvolver sua criatividade, transformando seu talento em renda. “Antes do projeto eu só fazia colares de fita e, para minha surpresa, a última encomenda que recebi foi um convite de casamento. Eu nunca imaginei fazer algo desse tipo”, conta.

Unindo talentos
As perspectivas são muitas. “Quero continuar fazendo meus trabalhos manuais e, quem sabe, no futuro, abrir minha própria loja. Eu tenho interesse em fazer bolsas, em aprofundar minha criatividade nessa área. A ideia é produzir junto com uma colega da oficina, que já possui uma marca de bolsas”, afirma.
A colega a quem Arislene se refere é Jaci, que viu sua produção de bolsas aumentar ao participar do projeto. “Aprendi a comprar materiais melhores e mais baratos. Consegui comprar uma máquina industrial, terminar minha casa e comprar um tanquinho. Tudo graças ao projeto”, ressalta.
O programa Viver+, uma parceria entre o MS, a Usaid e a Pact Brasil, apoiou e viabilizou as iniciativas de Brasília e Salvador. Os resultados obtidos nessas duas cidades refletem a mudança de paradigma já existente no país, onde o trabalho com as pessoas que vivem com HIV/aids é cada vez mais focado na participação deles no processo e não apenas como beneficiários de ações.

Autoestima maior
Tania Tenorio, coordenadora do Programa de Direitos Humanos da ONG Gestos, em Recife, acredita ser importante para a qualidade de vida das pessoas atendidas pelo projeto, que elas se sintam capazes de prover o seu próprio sustento. “É fundamental promover a autonomia financeira das mulheres, a conquista da igualdade de gênero no mundo do trabalho, e a superação de preconceitos e dificuldades sociais e econômicas”, afirma.
Assim, tentando reverter o contexto de desemprego vivenciado pelas mulheres que participam da Gestos, a ONG oferece oficinas de artesanato com cabaça e cerâmica. A ideia tem dado certo. “Esse projeto me mostra que sou capaz, onde quero chegar”, afirma a participante Rosineide Silva.
Wanessa Lima, que também realiza as oficinas, acredita que a iniciativa é uma etapa para a realização de sonhos. “Eu quero ser bem sucedida com esse trabalho com as cabaças e com as cerâmicas, que meu grupo tenha continuidade e renda bastante para dar um futuro melhor para nossos filhos e filhas e ter minha independência financeira, que é o que mais quero na vida”. Para a colega Edna Belarmino, o projeto se resume em poucas palavras: “alcançar os nossos objetivos”.

* Nome fictício

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