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Saber Viver » Saber Viver n.13

12/2001

Biovir + Indinavir + Ritonavir + Nevirapina

A combinação apresentada desta vez requer algumas atenções especiais.

Como todos nós sabemos, a água faz muito bem à saúde. Para quem toma o Indinavir, no entanto, beber bastante água é fundamental, pois esse medicamento provoca a formação de cálculos renais. Para evitá-los, são necessários, pelo menos, 2 litros de água por dia, ou seja, uns 15 copos. Quando estiver fora de casa, uma boa idéia é levar sempre com você uma garrafinha de água. A Nevirapina também necessita de atenção. Para que seja evitado ou ao menos amenizado seu efeito colateral mais freqüente – o rash (pintas vermelhas que aparecem pelo corpo) – deve-se iniciar a terapia tomando apenas 1 comprimido de Nevirapina 1 vez ao dia. Depois de 14 dias, a dose recomendada é 1 comprimido de Nevirapina 2 vezes ao dia. De qualquer forma, se o rash aparecer, não pare de tomar seu medicamento. Procure imediatamente seu médico. Caso não o encontre, procure outro médico infectologista na unidade de saúde onde você se trata e relate o que está se passando. O rash é quase sempre contornável com medicamentos. Confira a seguir como o nosso personagem João se organiza para tomar a combinação de medicamentos deste número.

BIOVIR
1 comprimido de 12 em 12 horas
NEVIRAPINA
(Viramune)
1 comprimido de 12 em 12 horas
Indinavir 
(Crixivan)
2 cápsulas de 12 em 12 horas
Ritonavir
(Norvir)
2 cápsulas de 12 em 12 horas

8h da manhã
Ao acordar, João toma seus medicamentos: 1 comprimido de Biovir, 1 comprimido de Nevirapina, 2 cápsulas de Indinavir e 2 cápsulas de Ritonavir

8h da noite
No restaurante, com amigos, João toma novamente os quatros medicamentos: 1 comprimido de Biovir, 1 comprimido de Nevirapina, 2 cápsulas de Indinavir e 2 cápsulas de Ritonavir. Como está fora de casa na hora da medicação, ele não esquece de levar todos os medicamentos numa caixinha.

*Os horários das tomadas de medicamentos escolhidos para o nosso personagem João são apenas sugestões. Cabe a você e a seu médico escolherem os horários mais adequados ao seu estilo de vida.

***

Tomar os medicamentos corretamente é a melhor forma de evitar falhas no tratamento

Para que seu tratamento contra a Aids transcorra sem problemas, alguns cuidados devem ser observados. Obedeça com rigor o horário das tomadas dos medicamentos e a quantidade de comprimidos ou cápsulas que devem ser ingeridos. Essa é a melhor forma de evitar que sua terapia falhe. Se você tiver qualquer dificuldade em seguir a receita médica, seu infectologista deve ser avisado. Com certeza, vocês dois, juntos, encontrarão uma solução adequada.

“Quanto menos negligente você for com os medicamentos, maiores são as chances de sucesso do seu tratamento “, afirma o infectologista Estevão Portela. “O paciente que, com a terapia anti-retroviral, consegue manter o nível de carga viral indetectável por uns dois anos, provavelmente vai conseguir mantê-lo assim indefinidamente, contanto que use o medicamento corretamente”, completa ele.
A medicina ainda não conhece os efeitos do anti-retrovirais a longo prazo. O que se sabe é que não existe nenhuma razão para pensar que o organismo pode se acostumar com os medicamentos a ponto de não mais se beneficiar com eles. “Essa preocupação não faz sentido. O paciente deve se preocupar em tomar a medicação corretamente, porque, ao tomá-la de modo errado, o HIV cria resistência aos anti-retrovirais e aí sim será necessário mudar a medicação”, alerta Estevão Portela.

Terapia de resgate
Quando os anti-retrovirais que você está tomando não estão surtindo o efeito desejado, o médico deve recorrer a uma terapia resgate. Isso significa que você terá que começar a tomar novos anti-retrovirais. Estevão Portela aconselha paciência nesse momento: “Os primeiros dias são mais complicados porque o organismo está tentando se adaptar à nova medicação. Com o tempo ele aprende a metabolizar melhor essas novas substâncias e então as reações adversas melhoram bastante”, diz ele.

Para evitar todo esse transtorno, o melhor é não bobear com seu tratamento, pois as terapias de resgate são quase sempre mais complicadas.


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