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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.02

09/2005

IAS: Breve resumo dos trabalhos mais interessantes

VÍRUS RECOMBINANTES 
A reinfecção pelo HIV, devido à sua gravidade e atualidade, foi tema de destaque na IAS. Em seu discurso durante a conferência, Francine McCutchan (foto em destaque) demonstrou que a infecção repetida pelo HIV deflagra o aumento da diversidade genética do vírus. Trabalhos realizados no Sudeste Asiático, África, Espanha e Brasil sugerem que pessoas multiplamente infectadas podem apresentar um aumento do número de formas recombinantes do HIV (quando dois ou mais subtipos do HIV se combinam geneticamente). Os dados evidenciam a necessidade de ações para reduzir a incidência da múltipla infecção pelo HIV. A diversidade genética do vírus dificultaria o desenvolvimento de novos remédios e vacinas.

RESISTÊNCIA À NEVIRAPINA
Confirmando resultados preliminares, foi apresentado por James McIntyre um estudo que mostra que há uma diminuição da resistência à nevirapina quando ela é associada à zidovudina e à lamivudina, ministrados durante 4 e 7 dias após o parto.
A nevirapina vinha sendo usada como dose única para a prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho na hora do parto. Porém, estes novos dados demonstram que a freqüência de resistência à nevirapina em dose única foi de 68%, enquanto que associada a 4 dias de zidovudiva + lamivudina foi 10% e associada a 7 dias de zidovudiva + lamivudina, 12%.

O IMPACTO DO TRATAMENTO SOBRE A PREVENÇÃO
A ampliação do acesso à terapia anti-retroviral contribui para a prevenção do HIV. Essa é a conclusão do estudo apresentado por Salim Abdool Karim. Segundo ele, o impacto do tratamento sobre a prevenção se dá em três níveis. No nível biológico, ao diminuir a carga viral presente nas secreções genitais, no sangue e no leite materno, o uso dos ARV reduz a capacidade de transmissão do HIV. No que diz respeito ao comportamento, a disponibilidade de medicamentos encoraja a procura pelo teste que detecta a infecção e pelo aconse lhamento. “Quanto mais pessoas souberem seu diagnóstico e iniciarem o tratamento, maior será o impacto na prevenção”, diz o especialista, que acredita ainda que, ao freqüentar serviços de saúde e CTAs, o usuário estará mais propenso ao uso de preservativos e aos cuidados com a saúde em geral.
Por fim, Karim destaca que a oferta de ARV muda a percepção da aids entre os profissionais de saúde, contribuindo para seu envolvimento com o tratamento e melhorando a qualidade dos sistemas de saúde como um todo.

NOVAS PERSPECTIVAS PARA AIDS NA PESQUISA GENÉTICA
Futuramente será possível prever a progressão da aids em cada indivíduo e qual a sua reação aos anti-retrovirais. A investigação de Amalio Telenti sobre as interações entre HIV, medicamentos e genética humana, apresentada em sessão plenária da IAS, indica que pesquisas nessa área ajudarão a identificar as pessoas com maiores riscos de adoecer rapidamente e a prevenir reações adversas ao tratamento. Além disso, a pesquisa genética tem um grande potencial para a descoberta de novas drogas e vacinas. Segundo Telenti, tais evidências reforçam a importância de promover um amplo debate público para discutir questões legais e éticas sobre o assunto.

CIRCUNCISÃO COMO PREVENÇÃO AO HIV 
Dados de estudo na África do Sul revelaram significativa redução de incidência do HIV entre homens circuncidados.
Divididos em dois grupos, um submetido à circuncisão e outro não, homens de 18 a 24 receberam informações sobre prevenção e foram acompanhados durante dois anos. Após este período, observou-se que a incidência do HIV foi três vezes menor no grupo circuncidado, resultando em redução de 65% de contaminação. Especialistas preveniram, no entanto, que este resultado deve ser confirmado por outros estudos, antes que a circuncisão seja recomendada como prevenção ao HIV.

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