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Saber Viver » Saber Viver n.08

02/2001

Canova não é recomendado no tratamento da Aids

Na edição número 4 da Saber Viver, divulgamos, a pedido de leitores que assistiram a uma reportagem na TV Globo, informações sobre o produto homeopático Canova.

Diante da forte expectativa que um produto como esse pode gerar, vale ressaltar que as promessas sobre o tratamento da Aids com Canova não foram constatadas cientificamente. Além disso, os médicos que defendem o Canova vêm divulgando dados inconsistentes sobre a utilização desse composto homeopático, o que gera uma desconfiança inaceitável quando o assunto é o cauteloso tratamento das pessoas atingidas pela epidemia.

Reunião com o Ministério da Saúde
Os médicos que representam o Canova se reuniram, em março de 2000, com membros da Coordenação Nacional de DST/Aids (CNDST/Aids) do Ministério da Saúde. O infectologista Celso Ramos Filho esteve presente na reunião a convite da CNDST/Aids. Segundo Ramos Filho, os dados apresentados pelo grupo que representa o Canova foram confusos e inconsistentes. “Dentre vários problemas, eles divulgaram um caso cuja carga viral do paciente chegou a 189 milhões de cópias por mililitro de sangue. Nenhum teste consegue detectar esse número altíssimo. Além disso, as contagens de CD4 e CD8 apresentados eram absurdos, com resultados verdadeiramente impossíveis de serem obtidos”. Para o infectologista, ou o laboratório utilizado não tem competência para avaliar esses casos, ou esses exames não foram sequer realizados.

Mais absurdos: durante a reunião, o grupo do Canova tentou convencer os representantes do Ministério da Saúde de que realizando uma pesquisa apenas com AZT para se contrapor ao Canova, seria possível verificar a eficácia do remédio homeopático. Celso Ramos Filho ficou indignado com essa proposta e sugeriu uma outra forma de pesquisa envolvendo apenas 10 pacientes que estivessem em falência terapêutica (sem opção de tratamento com os anti-retrovirais). Eles tomariam o Canova junto à terapia anti-retroviral, que continuaria a ser ministrada. Mas o grupo do Canova se esquivou, informando, dias depois, que realizaria a pesquisa no Canadá.

Enfim, diante desses fatos, o Ministério da Saúde alerta a todas as pessoas soropositivas que não utilizem o Canova como alternativa de tratamento.

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