Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Saber Viver » Saber Viver n.36

06/2006

Carinho e Cuidado: a mistura ideal de uma boa relação

Um relacionamento verdadeiro e sincero necessita de alguns ingredientes, como criatividade, admiração, amor, cumplicidade e muito cuidado, dos dois lados, claro. Esta edição, lançada no mês dos namorados, aproveita a oportunidade para tratar de alguns aspectos importantes de uma relação amorosa. Afinal, todo mundo quer encontrar a sua cara-metade.

Pera, uva, maçã ou salada mista? Com tanta variedade no mercado, a camisinha está cada vez mais acessível e, sem dúvida, é a melhor aliada dos relacionamentos cuidadosos. Para os mais criativos, nada melhor do que aliar o uso do preservativo a uma boa brincadeira na hora do sexo.

Fabrício* e Guilherme* estão juntos há cinco anos. Guilherme só contou que era soropositivo ao parceiro (que não tem o HIV) depois de algum tempo juntos, mas sempre fez questão do preservativo nas relações. Fabrício revela que teve sífilis e que desde então nunca deixa a camisinha de lado: “Agora, ela faz parte da minha vida. Hoje, para mim, não tem sexo sem preservativo”, revela. O casal alia criatividade ao cuidado até na hora do sexo oral, quando optam por camisinhas de diferentes sabores.

O casal da foto ao lado, Jucimara, 29 anos, e Evandro, 30 anos, também transformou o uso do preservativo em um ato de prazer e cuidado. Casados há 5 meses, eles guardam as camisinhas, estrategicamente, embaixo da cama: “Eu olho para o meu marido e já brinco: que fruta vamos experimentar hoje?”. Evandro diz que a mulher o conscientizou sobre a importância do uso do preservativo. Antes de conhecer Jucimara, ele confessa que não usava camisinha em todas as relações: “Minha mulher provou pra mim que a camisinha não atrapalha, pelo contrário. E ela sabe muito sobre isso”, diz, orgulhoso, ao citar as palestras que Jucimara ministra para outros soropositivos através do Grupo Pela Vidda Rio de Janeiro.

Vagner e Samuel namoram há 2 anos e cuidam, com carinho, da relação

Camisinha não diminui o prazer
Várias pesquisas indicam que o preservativo é cada vez mais aceito pelos casais, derrubando o mito de que o seu uso diminui o prazer. O casal Jucimara e Evandro engrossa as estatísticas, negando que o preservativo diminui a libido: “Nós desmistificamos isso. Não atrapalha e pode tornar o sexo até mais divertido. Meu marido não tem o vírus mas sabemos os cuidados que devemos tomar” – ressalta Jucimara.

Preservativo e fidelidade
Vagner, 29 anos, e Samuel, 26 anos, conheceram-se pela Internet e namoram há dois anos. Vagner soube que estava infectado pelo HIV logo no início do relacionamento. Ele fez o teste a pedido do parceiro e levou um susto com o resultado: “Eu só deixei de usar camisinha com uma pessoa, porque confiava nela. Depois, percebi que isso não tem nada a ver. A camisinha tem que ser usada sempre”.

Para cuidar dele próprio e do parceiro, soronegativo, Vagner conta que começou a pesquisar o preservativo ideal para ambos. Samuel explica que a intenção era buscar um produto confortável e seguro. Os dois afirmam, sem constrangimento, que qualquer relação sexual acontecerá com a presença da camisinha, ressaltando que esta decisão não tem a ver com fidelidade, ou desconfiança, mas sim com respeito por si e pelo outro.

* Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados.

Pessoas infectadas com HIV devem usar a camisinha sempre
Mesmo que a cara-metade seja também infectada pelo HIV, é fundamental que, na relação, a camisinha esteja sempre presente. Pesquisas apresentadas na Conferência Brasil Johns Hopkins, realizada em março, no Rio de Janeiro, apontam o aumento de pessoas infectadas nos Estados Unidos por vírus re s i ste n tes aos medica m e n tos co n t ra a aids. Essas pessoas tiveram relações sexuais sem camisinha e adquiriram um HIV já resistente a alguns remédios. Isto se chama resistência primária e significa um risco sério no combate à epidemia. Quem ama, deve cuidar de si e também do outro.

O uso da camisinha pode mudar o curso da epidemia
Uma pesquisa publicada recentemente na revista médica Lancet comprova isso. No Sul da Índia, segundo país – depois da África do Sul – em número de pessoas infectadas pelo HIV, houve redução do surgimento de novos casos, depois de investimentos na disseminação do uso da camisinha. Os resultados obtidos pela equipe do médico Rajesh Kumar mostram que, de 2000 a 2004, houve uma diminuição significativa de novas infecções entre jovens adultos em mais de um 30%. Os autores da pesquisa acre ditam que o índice fa vorável é conseqüência do aumento do uso de preservativo por homens e da exigência de prostitutas para que seus parceiros utilizem também a camisinha. Apesar dos resultados favoráveis, os especialistas afirmam que isso não significa que a epidemia de HIV na Índia tenha chegado ao fim. Significa que o uso do preservativo é um grande aliado ao combate à aids.

Aproveite o relacionamento cuidando de você e do parceiro (ou parceira)

Beijo na boca - Não só pode como deve. Muito. Através da saliva não se transmite o HIV.

Sarrinho e carinhos quentes, sem penetração - Que delícia! Eles são típicos de namoro. Mesmo com ejaculação, não há problema.

Sexo com camisinha femininaHá quem diga que ela aumenta o prazer. O único problema: é muito cara, ainda. Pode ser reservada para dias especiais.

Sexo com sabor - Sexo oral, só de camisinha. É chato? Mais chato é prejudicar a sua saúde. Hoje em dia, há camisinha de diferentes sabores. Vale experimentar.

Sexo entre duas mulheres - Pode ser sem camisinha. Mas se for oral, deve-se usar um produto que evite o contato da boca com a vagina. Que tal aquele filtro de pvc, usado para embrulhar alimentos ?

Sexo anal - Só com camisinha. Se a camisinha romper, avise ao seu médico.

Dicas sugeridas pelo infectologista Eduardo Pozobom, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Rio de Janeiro.

Compartilhe