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Solução » Solução n.14

08/2006

Com força e com vontade

Ex-balconista de drogaria, Militão Vieira investiu no curso técnico


Militão Vieira, de 28 anos, não esconde o orgulho que sente da própria história. Baiano de Itagiba, ele tinha chegado ao Rio de Janeiro com o diploma do ensino médio e estava empregado como balconista em uma drogaria. Um dia, uma colega comentou sobre a Habilitação Profissional de Técnico em Farmácia, curso oferecido pelo Senac [conheça mais sobre o curso na matéria de capa]. Militão gostou da idéia: “Paguei as mensalidades com meu salário de balconista mesmo.
E olha que eu era casado!”, brinca. Formado há dois anos, o rapaz mostra que tomou gosto pelo estudo. Agora faz a graduação em Farmácia na Unigranrio, em Duque de Caxias.

Além da faculdade, o que você tem feito?
Trabalho no Inca (Instituto Nacional do Câncer). Recentemente, fiz um concurso para auxiliar-técnico da farmácia de lá, mas não passei. Logo depois, comecei a trabalhar em regime de contrato temporário. Além disso, tenho feito todos os concursos que aparecem.

O curso técnico lhe deu um bom preparo para a prática diária?

Com certeza. Enquanto estudava no Senac, estagiei no IPEC (Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas/ Fiocruz). Então, uma colega de lá me indicou para uma ONG, a Médicos Sem Fronteiras, e, em seguida, fui para o Pedro Ernesto (Hospital Universitário Pedro Ernesto / UERJ).

O que o curso lhe ensinou sobre a assistência às pessoas com Aids?
Aprendi na prática, quando estagiei no IPEC e no Pedro Ernesto. Mas o que enfrentei no dia-a-dia em relação aos portadores do HIV não foi tão diferente do que acontecia com os outros pacientes. Os problemas são parecidos.

Você está começando a atuar numa área cheia de problemas, mas parece muito animado.
O SUS me surpreendeu. A gente ouve falar tão mal, a televisão mostra problemas terríveis, eu não acho que seja tão ruim. Eu via, por exemplo, no Pedro Ernesto, os profissionais correndo atrás para dar o melhor atendimento possível aos pacientes.
A farmácia onde eu trabalhava era um cubículo, atendíamos a doze programas ao mesmo tempo e não tínhamos espaço para mais de duas pessoas lá dentro. Acho que os jornalistas focalizam um ou outro caso particular realmente grave, mas acabam passando uma falsa impressão do conjunto. A realidade não é tão ruim.

Você conhece outra pessoa chamada Militão?
[Risos] Isso é coisa do Nordeste. Militão era o pai do meu pai.

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