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Saber Viver » Saber Viver n.08

02/2001

Como os brasileiros tomam os remédios

Ministério da Saúde promove pesquisa nacional que vai avaliar também os serviços de saúde

Nos primeiros meses de 2001, os serviços de saúde que atendem pessoas soropositivas no Brasil vão participar de uma pesquisa que será de suma importância para todos nós. Com o objetivo de avaliar como os brasileiros vêm fazendo uso dos remédios anti-Aids, o Ministério da Saúde pretende realizar um perfil do atendimento que é dispensado a pessoas com HIV. O governo sabe que, para se ter um bom índice de adesão, é fundamental que o paciente possa contar com apoio no local onde realiza o tratamento. Segundo Marco Antônio de Ávila Vitória, assessor técnico da Unidade de Diagnóstico, Assistência e Tratamento da da Coordenação Nacional de DST/Aids (CNDST/Aids) do Ministério da Saúde, começar este trabalho avaliando os serviços que são oferecidos é fundamental: “Estudos iniciais realizados pelo Ministério da Saúde sugerem que a relação entre o usuário e o sistema de saúde parece ser uma questão fundamental no processo de adesão ao tratamento. O melhor conhecimento das possíveis barreiras ou dificuldades de acesso ao serviço, bem como problemas de interação entre paciente e equipe de saúde devem ser adequadamente abordados”, afirma o assessor.

Desde 1996, quando os remédios contra a Aids começaram a ser disponibilizados pelo governo de forma universal e gratuita, o maior problema para pacientes, profissionais de saúde e governo é garantir que o medicamento será tomado corretamente. Mas isso não é uma tarefa fácil. Requer o empenho de todas essas partes. Para o Ministério da Saúde, esta pesquisa servirá de base para futuras ações da CNDST/Aids, gerando, assim, uma melhoria fundamental no atendimento aos soropositivos em todo o Brasil.

Adesão no Brasil é comparada a de países ricos
A professora da Faculdade de Medicina Preventiva da USP, Maria Ines Baptistella Nemes, está assumindo a coordenação da pesquisa nacional com uma grande experiência acumulada. Ela coordenou um trabalho semelhante realizado no estado de São Paulo, em 1998 (veja o resumo no quadro). As conclusões foram bastante interessantes. A principal delas: os paulistanos possuem um nível de adesão semelhante ao dos países de primeiro mundo. Dos 8.580 pacientes entrevistados, constatou-se que 70% conseguiam tomar 80% dos medicamentos receitados. Este número se assemelha a cidades de países ricos como Estados Unidos e Inglaterra. Essa constatação acaba com o mito de que em países subdesenvolvidos se teria mais dificuldade de tomar a medicação anti-Aids. “Óbvio que chegamos a este resultado porque temos acesso aos medicamentos gratuitamente. A população brasileira é mais pobre. Não teria condições de comprar os remédios por conta própria”, esclarece a pesquisadora. Mas esse resultado deve ser visto com cautela. “Segundo especialistas, para uma pessoa conseguir controlar a reprodução do vírus, é necessário que ela tome pelo menos 90% das doses receitadas”, alerta a pesquisadora da USP.

Qualidade dos serviços é fundamental
Outra constatação importante na pesquisa paulista diz respeito à importância da qualidade dos serviços de saúde na melhoria da adesão. “Conseguimos verificar que entre unidades com boas condições técnicas, onde o paciente é recebido humanamente, o tratamento é mais eficaz”, revela Maria Ines.
Diante da importância desse dado, a professora da USP está começando a pesquisa nacional avaliando os serviços oferecidos. “Vamos avaliar primeiro a qualidade das unidades de saúde para alcançarmos os índices de adesão”. Ela espera encontrar serviços piores em outros estados do país, com níveis de adesão mais baixos do que os registrados em São Paulo. Entretanto, Maria Ines acredita que, com a participação expressiva dos profissionais de saúde e dos pacientes, será possível, a partir dos resultados, promover a melhora no atendimento.

Ministério capacita profissionais de saúde 
Desde 1999, a CNDST/Aids vem implantando a estratégia do Grupo de Adesão. A iniciativa é treinar profissionais das unidades de saúde para prestarem auxílio aos soropositivos quando a dúvida é o tratamento. Várias unidades de saúde do país fazem parte deste Grupo. Algumas, inclusive, promovem reuniões em conjunto com vários soropositivos, dando-lhes a oportunidade de expor suas dúvidas e angústias. Procure saber se o local onde você realiza o seu tratamento participa do Grupo de Adesão do Ministério da Saúde. É um bom indício para medir a eficiência do local.

Como os paulistanos tomam os remédios
 Os serviços que não possuem um diálogo com seus pacientes concentraram índices menores de adesão;
 As unidades com boa qualidade nos aspectos técnicos (bons profissionais, exames e remédios acessíveis, etc) e também nos aspectos de diálogo e boa comunicação, conseguem níveis de adesão muito melhores;
 Os grupos de pessoas que abusam de drogas, assim como os de mais baixa renda e baixo nível de escolaridade têm mais probabilidade de encontrar dificuldades na adesão. Isto significa que os serviços de boa qualidade devem dar uma atenção especial a esses grupos, para diminuir esse risco.
Esta pesquisa ouviu mais de 8.500 pessoas em 27 postos
de atendimento em São Paulo.

Para uma boa adesão
• Tomar os remédios não é tarefa fácil. Portanto, não se sinta culpado se perder alguma dose. Informe tudo ao seu médico;
 Na dúvida, pergunte sempre. Se tiver vergonha de falar com o médico, procure outro profissional da unidade de saúde;
 Se você não se sentir à vontade no local onde faz o tratamento, tente achar outro no qual você se sinta melhor;
 Procure um grupo de auto-ajuda;
 Os exames são um dos mecanismos utilizados pelo médico para avaliar o seu estado de saúde. Portanto, a possível subida na carga viral não deve ser interpretada como uma falha em seu tratamento. Converse com o seu médico;
 O acesso gratuito ao remédios é uma conquista brasileira. Portanto, não perca essa chance. Tenha responsabilidade com você, levando o seu tratamento a sério.

O que é Adesão?
Se você toma corretamente os remédios, não esquecendo doses e ingerindo-os na quantidade certa, no horário certo e nas condições indicadas (com ou sem alimento), você tem uma boa adesão ao tratamento.

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