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Saber Viver » Saber Viver n.27

04/2004

Como tratar e curar a Tuberculose

Nos séculos XVII e XVIII, a tuberculose foi responsável por um quarto das mortes em adultos na velha Europa, causando tanto pavor quanto a aids em seus primeiros tempos. Naquela época, era uma doença incurável e que estigmatizava seus portadores com isolamento em sanatórios. Hoje, a tuberculose, uma das infecções oportunistas da aids, é perfeitamente curável, desde que diagnosticada rapidamente e o tratamento seja seguido à risca.

O Brasil é o 15º país do mundo com maior número de casos de tuberculose, segundo a Organização Mundial de Saúde. A doença ainda causa a morte porque 12% dos pacientes abandonam o longo tratamento. A Saber Viver, com a consultoria do infectologista Juan Verdeal, esclarece as dúvidas mais comuns sobre o tema. Assim, fica mais fácil diagnosticar, tratar ou até prevenir esse problema.

 

Pneumonia ou gripe mal curadas causam tuberculose?

Não. A doença é causada por uma bactéria chamada Mycobacterium Tuberculosis (também conhecida como Bacilo de Koch), que se transmite de uma pessoa infectada para outra através da tosse, fala e espirro. Só transmitem a doença pacientes com tuberculose pulmonar e que sejam bacilíferos, ou seja, eliminam o bacilo no ar. Pacientes com outros tipos de tuberculose (óssea, renal, meníngea etc) não transmitem o bacilo. A tuberculose nunca é transmitida por contato sexual ou através do sangue.

 

O que devem fazer as pessoas que precisam cuidar de alguém com tuberculose?

Procurar um posto de saúde para fazer uma consulta e, se o médico achar necessário, exames. Mas não é preciso separar copos, talheres, pratos e outros objetos pessoais do paciente.

 

Existe prevenção contra a doença?

A vacina BCG aplicada no primeiro mês de vida pode prevenir as formas mais graves da doença, principalmente nas crianças. O diagnóstico precoce do indivíduo infectado e o início do tratamento são formas importantes de prevenção de contaminação de outras pessoas. A convivência em ambientes bem ventilados, condições sanitárias adequadas, alimentação saudável e medidas básicas de higiene serão sempre fundamentais para a prevenção das doenças infecto-contagiosas.

 

Quais são os sintomas da tuberculose?

Tosse, em geral por mais de 15 dias, febre, geralmente ao entardecer, suores noturnos, falta de apetite, emagrecimento e cansaço fácil. Os exames mais comuns para diagnosticar a doença são a radiografia do tórax e o exame do escarro (baciloscopia). Todos feitos gratuitamente nos postos de saúde.

 

Que remédios são usados no tratamento?

Na maior parte dos casos, duas cápsulas vermelhas contendo cada uma a associação de rifampicina e isoniazida (tomados em jejum) e quatro comprimidos brancos com pirazinamida. Todos são distribuídos gratuitamente nos postos de saúde e geralmente o tratamento é de seis meses. Os efeitos colaterais mais comuns são enjôo e vômitos. Se você apresentar algum efeito indesejado, não suspenda a medicação. Entre em contato o mais rapidamente possível com o seu médico, pois ele o orientará como lidar com esses problemas.

Eventualmente, para casos especiais (pacientes com doenças graves do fígado, pessoas em uso de medicações anti-retrovirais, tuberculose meníngea), o tratamento poderá ser com outras medicações (sempre fornecidas pelos postos de saúde) e/ou por período mais prolongado.

 

É preciso parar de tomar bebida alcoólica ou fumar?

Sim. A associação de bebidas alcoólicas com as medicações para a tuberculose aumenta o risco de complicações, como hepatite. Parar de fumar também é aconselhável, já que melhora o estado de saúde do paciente, facilitando o tratamento e a cura.

 

Como saber se está curado?

Só o médico pode fazer essa avaliação. Muitas vezes o paciente melhora após um mês de tratamento (desaparece a febre, melhora o apetite, há ganho de peso), mas isto não significa que a tuberculose esteja curada. Será sempre necessário completar o período de tratamento indicado pelo médico.

 

O paciente com tuberculose pode trabalhar?

Após 15 a 30 dias do início do tratamento, sim. Depois desse prazo, ele deixa de contaminar o ar ambiente. SV

 

Fonte: Site do Programa Estadual de DST/Aids do Rio de Janeiro e assessoria técnica do infectologista Juan Verdeal.

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