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Circulador » Circulador n.04

12/2009

Construindo redes de solidariedade

"Os depoimentos que recebemos expressam como as pessoas entram e saem do grupo de Terapia Comunitária. Amor, compreensão, sabedoria, leveza, felicidade e paz são palavras que sempre aparecem". Vivian Starec, psicóloga e assistente social do Posto de Saúde Helio Pellegrino

A formação de redes sociais tem se mostrado um modelo eficiente para a promoção da saúde, promovendo a participação individual e coletiva na efetivação de políticas públicas

Nudeca e o trabalho em rede Compromissado com os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente de Guaratiba (Nudeca) atua há oito anos integrando diferentes instituições da região: posto de saúde, escolas, creches, Conselho Tutelar, ONGs e outros atores sociais da comunidade. As ações incluem acolhimento, orientação, e suporte a famílias em situação de violência doméstica, além de apoio a escolas e creches. “A rede é um instrumento estratégico para a atenção básica e a promoção da saúde. Os encontros garantem a integralidade do cuidado à família e evitam a sobreposição de ações institucionais”, explica a psicóloga Tania Moraes, do Posto de Saúde Dr. Alvimar de Carvalho – uma das unidades da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC-RJ) que mais notifica ao Conselho Tutelar a violação dos direitos da criança e do adolescente.

A experiência da Terapia Comunitária
Acolher e aliviar o desconforto do cotidiano são os objetivos prioritários da Terapia Comunitária – TC – estratégia de construção de redes de solidariedade referendada pelo Ministério da Saúde. A Terapia Comunitária foi criada em 1987 pelo psiquiatra e antropólogo Adalberto Barreto, que partiu do princípio de que “quando a gente cala, o corpo fala; e quando a gente fala, o corpo sara”.
A médica Tânia Carluccio Vianna, técnica da Coordenação de Educação em Saúde da SMSDC-RJ, explica que as rodas de conversa da TC são espaço para a partilha de vivências, onde se fala sempre na primeira pessoa, sem distribuir conselhos ou fazer julgamentos. Para ela, a troca de experiências pessoais e a mobilização de recursos individuais e comunitários para lidar com a questão são os maiores trunfos desta metodologia. “A partir da exposição de um problema relatado por um membro da roda e eleito pelo grupo como o mais mobilizador, o terapeuta pergunta quem já viveu algo parecido e como foi possível aliviar a inquietação”.
Os participantes também podem propor músicas, ditos populares e poesias, valorizando a cultura local. Entre os temas mais abordados, estão conflitos familiares, violência, , discriminação, uso abusivo de álcool e drogas, estresse e baixa autoestima.
Em 2009 o I Curso de Formação em Terapia Comunitária da SMSDC-RJ capacitou 45 profissionais, sendo 35 agentes comunitários, que estão realizando rodas de TC nas unidades de saúde e comunidade.

Nas rodas de conversa da Terapia Comunitária, os participantes partilham vivências sem distribuir conselhos ou fazer julgamentos

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