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Saber Viver » Saber Viver n.21

04/2003

Sofro, mas não me entrego

Não culpo o meu companheiro por ter me contaminado, mas fiquei triste por ele ter escondido isso de mim. Eu o amava e até hoje não esqueço dele.

Sou soropositiva e viúva. Tenho 41 anos e 7 filhos. Em 1995 comecei a ficar com um rapaz que já tinha sido meu namorado quando eu tinha 13 anos. Nos reencontramos e começamos a namorar. Ele era viciado em cocaína e a tomava na veia. Lutei muito para tentar tirá-lo dessa vida. Consegui isso somente por um tempo. Nesta época, ele veio morar comigo. Sempre foi muito carinhoso, mas, antes de nós morarmos juntos, ele me fez sofrer muito quando me trocava pelas drogas.

Certo dia, ele ficou doente, mas não me disse o que tinha. Eu estava cega de paixão. Quando ele ficava doente, se hospedava na casa da mãe. Ele me escondeu que era portador. Um dia, fui arrumar a casa da irmã dele e vi na estante um exame em nome do meu marido que dizia que ele era soropositivo, só que eu não sabia o que isso queria dizer. Então, perguntei à irmã dele. Ela começou a chorar e me contou. Fiquei muito triste porque ele não me contou nada. Eu sei que errei porque não usei camisinha, mesmo sabendo que ele era viciado em drogas. Agora, ele já se foi e continuo sentindo muito sua falta.

Infelizmente, ele não quis mais viver. Desistiu. Entregou-se. Não o culpo por ter me contaminado, mas fiquei triste por ele ter escondido isso de mim. Eu o amava e até hoje não esqueço dele.

Eu me acho uma mulher forte por tudo que já passei. Sofro, mas não me entrego. Tenho Jesus comigo e luto com firmeza para viver muito.
Não sou viciada em nada: não fumo e não bebo. Estou saudável. Faço o meu tratamento e tudo corre muito bem neste ponto. Sou apenas triste por não ter o meu companheiro ao meu lado. Mas espero que, onde ele estiver, esteja bem e olhando por mim. Este é um pouco da minha história.

Para vocês da Saber Viver, muito obrigado por tudo. Principalmente por este cantinho onde a gente pode desabafar.

Arlete – São Paulo – SP

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