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Saber Viver » Saber Viver n.24

10/2003

Conte a sua história

Sou soropositivo sim, e daí?

“Sou soropositivo sim, e daí? Por acaso deixei de ser humano? Claro que não!

Não sou superior nem inferior a ninguém, continuo tendo defeitos e virtudes, tendo caráter, tendo talento profissional, tendo responsabilidade, tendo bom senso, tendo bom humor, tendo motivos para sorrir e chorar, tendo auto-estima, tendo respeito pelo próximo, tendo medo, tendo coragem, tendo sentimentos, tendo amigos, tendo humildade, tendo sonhos, tendo direitos e deveres, tendo o dom de amar, tendo erros e acertos, tendo arrependimentos, tendo limitações, tendo inteligência, tendo desejos, tendo sede e fome, enfim, sou um ser humano como qualquer outro.

O fato de ter o vírus da aids não me transformou num “mortal”, pois “todos os seres humanos são mortais”. Enganam-se àqueles que têm a ilusão de serem “imortais”, como se enganam aqueles que se sentem “imunes” a milhares de doenças que podem nos atacar. O vírus da aids invadiu meu sangue sem pedir licença, mas se enganou quando pensou que poderia me vencer facilmente, pois encontrou aqui um oponente disposto a não lhe dar tréguas e nem se entregar sem lutar, encarando-o, sem temê-lo.

Não tenho motivos para me esconder de nada nem de ninguém. Assim sendo, quero sempre ser chamado pelo meu nome, que é ALEXANDRE GONÇALVES DE SOUZA. Tenho 44 anos, moro na cidade de Santos/SP e sou soropositivo há sete anos.

Sou soropositivo sim, e daí? Continuo sendo a mesma pessoa, e jamais permitirei que os preconceituosos me julguem ou me condenem, bem como continuarei a sentir pena daqueles que se sentem no direito de discriminar seu semelhante, pois estes, quando olharem à sua frente e virem as portas se fechando, perceberão que ESSAS PORTAS FORAM FECHADAS POR ELES MESMOS”.

Alexandre Gonçalves de Souza – por e-mai

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