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Saber Viver » Saber Viver n.19

12/2002

Seguindo em frente

“Quando o meu pai morreu devido a complicações por causa da Aids, eu tinha apenas 14 anos e foi muito difícil conviver com essa perda. Fiquei com muito medo que a minha mãe também morresse. Os anos se passaram e eu acabei também me contaminado pelo HIV através de um namorado. Entrei em desespero porque não queria morrer. Mas a minha mãe foi a inspiração do meu viver. Hoje, depois de dez anos, minha mãe faz o tratamento e nunca teve nenhum problema de saúde. Agarrei-me na força dela e atualmente, mesmo estando infectado pelo HIV, tenho uma saúde ótima. Com o tratamento, ao invés de emagrecer (como eu imaginava), engordei e se eu comentar com alguém que sou soropositivo ninguém vai acreditar.

Eu e minha mãe estamos superbem de saúde e felizes, com muita força de viver e tendo uma vida normal. Por isso, deixo o meu recado a todos os leitores: acreditem no potencial de vocês, em Deus, e sigam em frente.”

G.C.M – São Paulo – SP



O susto e a fome de vida

“Quando soube que eu era portador do HIV, em meados de 1988, as propagandas de TV sobre o HIV eram taxativas em dizer que os gays eram os únicos propagadores do vírus. Entrei em pânico porque eu não havia assumido ainda a minha homossexualidade e nem aceitava o homoerotismo. Tentei cometer besteiras e na época não existia o tratamento através da combinação de vários remédios (o coquetel). Vi-me como uma pessoa que iria morrer a qualquer momento. Assustado e perdido, isolei-me do mundo. Só tive apoio e ajuda de minha irmã, que é lésbica assumida. Mas, de repente, um click aconteceu. Os meus sonhos e desejos vieram à tona e eu disse para mim: não quero ir. Apeguei-me na fome de vida pensando em tudo que eu ainda gostaria de viver. Apeguei-me nas coisas que gosto: cinema, histórias em quadrinhos, TV, desenhos animados, poesia etc. Com o tempo, surgiu o coquetel de remédios e comecei a tomá-los. Sou soropositivo há 12 anos e feliz por estar vencendo, no dia a dia, a minha batalha existencial. Cada dia com mais fome de vida!”

Fábio O. S.– São Paulo – SP.

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