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Saber Viver » Saber Viver n.43

10/2008

darunavir + ritonavir + tenofovir + lamivudina + enfurvitida (T20)

Utilizado por quem já apresentou inúmeras falhas no tratamento, com vírus resistente às três classes de antiretrovirais mais utilizadas (nucleosídeo, nãonucleosídeo e inibidor de protease), esse esquema só pode ser indicado para o paciente após o resultado do exame de genotipagem*.
O darunavir é o inibidor de protease mais recentemente disponível na rede pública de saúde, extremamente potente e com uma grande vantagem: age até mesmo contra aqueles vírus que já se tornaram resistentes a outros anti-retrovirais da mesma classe.

Efeitos colaterais
O darunavir causa alterações de gordura no corpo (a chamada lipodistrofia), como os outros inibidores de protease. Mas as elevações nas taxas de colesterol, triglicerídeos e glicose são menos intensas do que as verificadas no lopinavir/r e mais intensas do que as do atazanavir, embora todos os medicamentos, em escalas diferentes, contribuam para essas alterações. Problemas que podem ser atenuados com a prática freqüente de exercícios físicos e uma alimentação equilibrada.
O uso do darunavir pode, no entanto, ocasionar alergias de pele, com pruridos e coceira, principalmente em pessoas com histórico de alergia à sulfa: “Mas os casos de alergia não são tão freqüentes, e mesmo os pacientes com reações à sulfa podem tomar o remédio”, afirma o infectologista Estevão Portela.

O uso do ritonavir
O darunavir só deve ser usado em combinação com o ritonavir, capaz de potencializar sua ação terapêutica. “Uma desvantagem do darunavir é ele não vir coformulado com o ritonavir”, diz Estevão Portela. “Isso exige que o ritonavir seja tomado separadamente e gera um pequeno problema de armazenamento, uma vez que o ritonavir precisa de refrigeração”, explica o infectologista.

Injeções de enfuvirtida (T20)
Outro medicamento ainda pouco usado em pessoas que vivem com HIV/aids é a enfuvirtida, também conhecido como T20, um medicamento que pertence a uma classe nova: os inibidores de fusão. É um tratamento incômodo, mas bastante eficaz no resgate de pacientes sem opções de tratamento. A enfuvirtida precisa ser dissolvida em água e depois injetada pelo próprio paciente na barriga, no braço ou na perna. São duas injeções por dia, com intervalo de 12 horas entre elas. Umadica: as duas injeções podem ser preparadas juntas. Uma é aplicada imediatamente, e a outra pode ser guardada na geladeira até a próxima dose, 12 horas depois: “Este é um medicamento que requer um período de adaptação do paciente, com aconselhamento e explicação do uso correto da medicação, em razão da sua complexidade”, afirma Portela.
Outra dica para facilitar o uso da enfuvirtida: aplique as injeções nos locais onde há maior concentração de gordura. São menos doloridas e provocam menos reação na pele. Este, por sinal, é o efeito colateral mais freqüente em quem usa o T20. Quase todos os pacientes observam alguma reação no local da injeção (como vermelhidão, endurecimento da pele, coceira e, em alguns casos, um pequeno nódulo).

Adesão é fundamental
Segundo o infectologista Estevão Portela, é importante que os usuários desta combinação compreendam que ela é uma terapia de resgate e que, para que não perca sua eficácia, precisa ser tomada de forma correta. “Se não for seguida corretamente, os pacientes correm o risco de ficar sem opção de tratamento”, alerta o médico, ressaltando que os medicamentos devem ser ingeridos junto com alimentos.

Darunavir: 2 comprimidos, de 12 em 12 horas
Ritonavir: 1 comprimido, de 12 em 12 horas
Lamivudina: 2 comprimidos, 1 vez por dia
Tenofovir: 1 comprimido por dia
Enfuvirtida (T20): 1 injeção, de 12 em 12 horas

 

10 horas da manhã

Após tomar o café da manhã, Mauro toma 2 comprimidos de darunavir, 2 comprimidos de lamivudina, 1 comprimido de tenofovir, 1 comprimido de ritonavir e ainda aplica a primeira injeção de enfuvirtida (T20), preparada na noite anterior.

 

 

10 horas da noite

Depois do jantar, já em casa, Mauro toma mais 2 comprimidos de darunavir e um ritonavir. Depois prepara as duas injeções de T20, aplicando uma imediatamente e guardando a outra na geladeira para ser aplicada na manhã seguinte.

 

 

* GENOTIPAGEM
O exame de genotipagem verifica a resistência do HIV aos anti-retrovirais em uso ou já usados pelo paciente, auxiliando o médico a escolher que medicamentos indicar.

 

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