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Solução » Solução n.18

04/2007

Dez anos de HAART

A terapia anti-retroviral potente (HAART, sigla em inglês) completa 10 anos de existência. Surgida em 1997, com a descoberta de novas classes de medicamentos como os inibidores de protease, representou o início de uma nova fase da epidemia de aids. 


Tratar pacientes infectados pelo HIV apenas com a zidovudina, a didano sina e a zalcitabina parece absurdo nos dias de hoje, mas era a realidade dos profissionais de saúde há uma década atrás, antes do surgimento dos primeiros medicamentos da terapia anti-retroviral potente, o chamado “coquetel anti-aids”.

“Nestes dez anos, passamos a conhecer melhor o HIV, a aids e as doenças oportuni stas. Um conhecimento que foi traduzido em uma maior oferta de medicamentos e, con seqüentemente, num leque cada vez maior de possibilidades de tratamento”, relembrou a médica Dirce Bonfim, pro fessora adjunta de doenças infecciosas e parasitárias da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), durante seminário comemorativo dos dez anos de HAART, realizado em abril, no Rio de Janeiro.

O seminário contou com a participação de profissionais de saúde que atuam na área HIV/aids. “Nosso objetivo foi democratizar as informações sobre as mudanças que pudemos observar desde que a terapia anti-retroviral potente passou a ser usada largamente no Brasil e no mundo”, afirma o enfermeiro Sérgio Aquino, responsável pela logística de medicamentos da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e um dos organizadores do evento.

Principais mudanças 
Entre as mudanças observadas estão a descoberta de novas drogas e de novas classes de anti-retrovirais que agem de forma complementar para combater a infecção pelo HIV (em dez anos, passamos de três para 17 ARVs e de apenas uma para cinco classes diferentes); o descarte de medicamentos que se mostraram tóxicos e ineficazes;e o surgimento de fármacos com formulações mais simples. Ao longo dos últimos dez anos, também surgiram novos exames laborato riais para acompanhar e monitorar a evolução da do ença. Além do CD4 e da Carga Viral, incorpo ramos o exame de genotipagem do HIV, que permite con hecer as mutações genéticas do vírus, e, em caráter ainda particular, o exame de fenotipagem, um outro método que aponta os medicamentos possivelmente eficazes em pacientes com falhas terapêuticas.

Eterno desafio: a adesão 
O impacto da terapia HAART mudou radicalmente o cenário da aids no mundo. No Brasil, onde a terapia é distribuída gratuitamente, houve redução de até 80% das doenças oportunistas e das internações, e de mais de 50% das mortes relacionadas à aids. No entanto, segundo a médica Débora Fon tenelle, do Hospital Pedro Ernesto da UERJ, ainda estamos longe do ideal. “A in trodução do HAART aprimorou o tratamento e facilitou a adesão à terapia, mas não basta distribuirmos medicamentos. Precisamos desenvolver um olhar mais individualizado e, ao mesmo tempo, mais integral, para que o paciente tome os remédios corretamente. Não adianta ditar normas e condutas; não adiantam prescrições, receitas ou pacotes prontos”, ressalta a médica.

O enfermeiro Sérgio Aquino da SMS do Rio de Janeiro compartilha da mesma opinião. “Nos próximos cinco anos, a terapia HAART será fortalecida com a entrada de mais cinco novos medicamentos, alguns de classes totalmente novas, como os inibidores de integrase e os inibidores de CCR5, mas os resultados positi vos da terapia anti-retroviral potente só serão ampliados se conseguirmos garantir uma adesão cada vez melhor”, conclui Aquino.

Principais mudanças no tratamento
• O ddc e a delavirdina já não são mais utilizados no tratamento.
• A estavudina, forte indutor de alterações me tabólicas como a lipodistrofia e o aumento de colesterol e triglicérides no sangue, vem sendo substituída pelo abacavir e pelo tenofovir.
• O indinavir é cada vez menos utilizado em função de sua toxidade (provoca cálculos renais) e por in duzir determinadas mutações genéticas do HIV.
• O saquinavir só deve ser utilizado em as sociação com outro inibidor da protease, geralmente o ritonavir.
• O ritonavir é usado apenas para potencializar outros inibidores da protease.

Principais mudanças de formulação
• Os comprimidos de didanosina que precisavam ser dissolvidos, hoje devem ser engolidos.
• O lopinavir/r em cápsulas está sendo subs tituído pela formulação com menor carga diária de comprimidos, que não necessitam de refrigeração.
• Medicações foram combinadas num único tablete para facilitar administração, como lamivudina + zidovudina.
• O efavirenz passou de três cápsulas de 200mg para um único comprimido de 600mg.

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