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Circulador » Circulador n.04

12/2009

Educação, Cultura e Saúde

Arte e cultura contribuem para a promoção da saúde e cidadania

Em diversas iniciativas espalhadas pelo município do Rio de Janeiro, atividades artísticas e culturais têm sido desenvolvidas como forma de mobilizar a sociedade para a promoção da saúde e da cidadania.
O Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC-RJ) é uma dessas instâncias. Toda semana, representantes de secretarias municipais e de instituições parceiras reúnem-se em torno de temas relativos à arte, saúde e ciência.
“Desenvolvemos linguagens inovadoras para auxiliar a ampliação do conceito de saúde entre a população. Uma das principais atividades é o teatro, que mostra aos participantes o universo de possibilidades que existe para cada realidade. Todos podem ser cientistas, todos podem ser artistas, todos podem ser cidadãos”, acredita Vítor Pordeus, coordenador do Núcleo.

Vítor Pordeus (ao centro) aposta em linguagens inovadoras para ampliar o conceito de saúde entre a população

Cultura e protagonismo juvenil
No Adolescentro Paulo Freire, centro multidisciplinar da SMSDC – RJ, expressões artísticas como teatro e dança fazem a diferença na promoção da saúde. Os adolescentes estão à frente das discussões e constituem um elo entre o projeto que desenvolvem e o grupo social ao qual pertencem. Desde 2007, a Companhia de Teatro do Adolescentro mostra aos jovens frequentadores que é possível escrever a própria história. Os exercícios de expressão, os jogos de improviso e a estruturação de cenas exigem disciplina e envolvimento e estimulam a abordagem de aspectos saudáveis do amadurecimento e da vida em sociedade.

A gerente do Programa de Saúde do Adolescente do Rio de Janeiro, Dilma Cupti de Medeiros, explica que o adolescente é um sujeito em fase de experimentações. “Para trabalhar com a saúde do adolescente é preciso abandonar o modelo tradicional e hegemônico que considera a saúde ausência de doença. É preciso adotar o conceito de promoção da saúde, uma concepção ampla, que trabalha com o sujeito de forma integral”, Dilma esclarece. A equipe do Adolescentro também participa do Fórum de Cultura da Rocinha. O resultado é a ampliação do olhar sobre o papel da cultura na promoção da saúde.

O palco é lugar de protagonismo, todos querem receber os aplausos. Adolescentes com visibilidade negativa conseguem se mostrar de outra forma para a família e a comunidade. É uma ótima oportunidade de trabalho com famílias. Dilma Cupti de Medeiros, gerente do Prosad do Rio de Janeiro

Incentivo à leitura
Todas às sextas-feiras, às 15h, uma sala do Centro Municipal de Saúde Américo Veloso, em Ramos, carinhosamente apelidada como Sala Encantada, fica repleta de crianças e adultos para a sessão de Contação de Histórias. “É uma atividade aberta ao público, sem restrição de idade ou necessidade de encaminhamento.
A proposta é desenvolver a comunicação oral dos participantes e incentivar a leitura, mas as conquistas paralelas ultrapassam estes objetivos”, explica a idealizadora da iniciativa, a fonoaudióloga Clarisse Lopes.
Além da Contação de Histórias, outros espetáculos trabalham a temática da saúde: os participantes escrevem, produzem, atuam e dirigem peças, apresentadas na unidade ou em escolas próximas. A estudante de Artes Cênicas Martha Máximo, voluntária da atividade, conta que a iniciativa tem proporcionado grandes conquistas: “Muitas crianças preferem ir para a Contação a ficar em casa ou na rua”. A colega de Martha, Leandra Lopez, concorda: “Os pequenos chegam tímidos, com um repertório vocal e corporal muito reduzido e, no decorrer do processo, vão se tornando afetuosos, comunicativos e criativos”.

É difícil pensar em saúde e cultura como áreas distintas. Observo no dia-a- dia da unidade uma mudança no “clima” do CMS, que está mais humanizado e alegre com as atividades lúdicas e artísticas. É uma transformação no entendimento da importância da promoção da saúde entre os pacientes e entre os próprios funcionários. Clarisse Lopes, fonoaudióloga do CMS Américo Veloso

Estimulando a amamentação

A cultura também é o caminho para promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. O concurso Talentos que Promovem a Amamentação, parceria da Gerência de Programas de Saúde da Criança com o Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde, ambos da SMSDC-RJ, é exemplo do novo olhar sobre a inserção do aleitamento natural nos programas e políticas de saúde. A ideia é investir em uma abordagem lúdica, com música, artes plásticas e dança, para sensibilizar a sociedade.
A nutricionista Rosane Rito, gerente do Programa de Saúde da Criança, explica que o tema começou a ser trabalhado na rede básica em 2002, com a Iniciativa Unidade Básica Amiga da Amamentação. O objetivo é mobilizar unidades de saúde para a adoção dos Dez Passos para o Sucesso da Amamentação.
“Em 2005 já tínhamos avançado como grupo, mas faltava algo que realmente atingisse as mães. Foi criado o projeto Amamentação, e eu com isso?, para envolver pais, adolescentes e idosos – que muitas vezes ajudam as novas mamães – no processo de aleitamento materno”, conta Rosane.
Como resultado desses esforços, a Pesquisa de Práticas Alimentares de Crianças Menores de Um Ano ,de 2008, indica o crescimento do índice de aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de seis meses, que subiu de 13,7%, em 1996, para 40,1%, no ano do estudo.

"As aulas de teatro trouxeram disciplina e responsabilidade. A interpretação de textos, a consciência corporal, a noção de espaço do ator no palco e principalmente o trabalho em equipe mostraram que podemos conseguir o que quisermos, se nos esforçarmos". Daniel de Sousa Silva (à esquerda), frequentador do Adolescentro Paulo Freire

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