Saber Viver Jovem

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Jovem » Saber Viver Jovem n.01

01/2004

Ela pega no meu pé, ela não me entende, mas…

Tá comigo para o que der e vier! Essa é a minha Família

Sabe aquela família que aparece em comercial de televisão? Pai, mãe, filho e filha, todos sempre lindos e felizes! Se sua família não se parece nada com isso, fique tranqüilo, você não é exceção. Na vida real a história é bem diferente.

A real é que, hoje em dia, existem famílias de formas bem variadas. Tem muita gente que vive só com a mãe ou só com o pai. Às vezes também com o padrasto ou madrasta. Muitos vivem com os avós, com os tios. Alguns vivem junto dos irmãos de sangue, outros vivem com os irmãos de coração. Dê uma olhada à sua volta. Saca aquelas pessoas que estão sempre por perto, que convivem com você no seu dia-a-dia? Pois, é! Essa é a sua família!

Agora, cá entre nós, você acredita mesmo em família sempre feliz? A convivência quando é muito próxima, seja entre amigos ou entre familiares, é sempre um pouco (às vezes muito) complicada.

Conversando a gente se entende
Se toda convivência já tem seu lado complicado, imagine quando o HIV faz parte da família! A verdade é que a aids é um tema complexo. Quase ninguém gosta de tocar nele com medo de trazer à tona sentimentos difíceis de lidar. No entanto, se a aids virar um assunto proibido dentro da família, a situação pode ficar insustentável. “O problema começa com a dificuldade que os familiares têm em falar para a criança soropositiva que ela tem o HIV”, diz a psicóloga do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, Camila Alves Perez. “Essa criança passou anos indo ao hospital e tomando remédios sem saber exatamente o porquê. Fica imaginando coisas e sofrendo em silêncio. Quando enfim alguém resolve contar, ela já é um adolescente que no fundo já sabia da verdade”, diz.

Para Sandra, que tem 16 anos e vive em Recife, ninguém nunca contou sobre o HIV, apesar de ela ter o vírus desde o nascimento. “Descobri que tinha o HIV porque escutava algumas conversas quando era menor e fui juntando as peças. Nunca tocamos nesse assunto em família. Só durante as brigas a gente solta alguma coisa”, conta Sandra.
Segundo a psicóloga, quando a família aceita a aids com mais naturalidade e se abre para o diálogo, a relação familiar se torna muito melhor.

“Já posso me virar sozinho!” Será?
Com ou sem problemas, ter a família por perto é importante. Ainda mais quando se tem um vírus que deixa a pessoa mais sensível a doenças e obrigada a seguir um tratamento tão complexo quanto o anti-aids. Vamos admitir: proteção, às vezes, cai bem. E para isso não tem idade. Rosa, 17 anos, de São Paulo, sente falta do tempo em que sua mãe tomava conta dela. “Gosto de ter liberdade, mas queria que minha mãe ligasse mais para mim. Vou ao médico sozinha e vivo esquecendo dos remédios. Sinto falta dela ficar em cima”, diz.

Por outro lado, quando a proteção é exagerada, ninguém agüenta! Mas, dê um desconto. No fundo, seus familiares só querem evitar que você prejudique sua saúde. O jeito é você ir mostrando aos poucos que não é mais aquele ser frágil e que pode tomar conta sozinho do seu tratamento. Com Sandra aconteceu assim. “Quando era mais nova, minha mãe me controlava muito e quase não me deixava sair”, diz ela. “Aos poucos ela foi me liberando e eu agora sou bastante responsável. Hoje, saio com minhas amigas à noite, viajo, e não esqueço de tomar remédios. Mas de vez em quando minha mãe ainda liga para me lembrar”, conta ela.

Segundo a psicóloga Camila Perez, é importante que os pais incentivem seus filhos a se tornarem independentes. “Alguns adolescentes soropositivos são exageradamente protegidos pela família, o que os torna muito imaturos”, diz a psicóloga. “A família precisa deixar os jovens crescerem. Ela deve estar atenta para perceber que tem coisas que eles já podem fazer sozinhos e ficar de olho nas situações em que eles ainda precisam de apoio, como a hora de tomar os remédios”. E nunca é demais lembrar: um pouco de carinho não faz mal a ninguém.

Recado para a família
• Quando a família lida bem com a aids, o adolescente também encara essa questão com mais tranqüilidade e cuida melhor do seu tratamento.

• O segredo da família sobre o assunto passa para o adolescente a noção de que a aids é uma doença que envergonha e essa atitude só serve para aumentar a desinformação e fortalecer o preconceito.
• Não existe um momento ideal para contar à criança que ela é soropositiva. Responder de forma simples as perguntas que aparecem é a melhor atitude.
• O adolescente precisa ir, aos poucos, ganhando autonomia para se tornar um adulto responsável.
• Apesar de não gostar de demonstrar, o adolescente ainda precisa de atenção, carinho e ajuda. Com sensibilidade, é possível distinguir em que pontos ele precisa de apoio e em quais ele já pode se virar sozinho.
• Quando a família está com problemas para lidar com as difíceis questões da aids e da adolescência, nada melhor do que buscar ajuda com o profissional de saúde de sua confiança.


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