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Solução » Solução n.23

04/2008

Ela veste a camisa da farmácia

Irene Gambati quer dar palestras aos funcionários

Foi no final do ano passado, em debate entre profissionais cariocas sobre a adesão do paciente à terapia anti -retroviral. A farmacêutica Irene Gambati, que é chefe da farmácia e do posto de coleta do CMS Necker Pinto, no Rio de Janeiro, fez um rápido comentário sobre a adesão de quem trabalha nos hospitais. Segundo ela, para o paciente aderir, era fundamental que o profissional aderisse primeiro. Meses depois, ela complementa sua observação.

Solução – Numa discussão tão ampla, por que você destacou justamente a “adesão do profissional”?
Irene Gambati – O profissional tem que vestir a camisa, tem que dar algo mais. A gente trabalha numa área que tem problemas, é difícil. Aqui, por exemplo, atendo ao posto de coleta e à farmácia. Além do programa de HIV/ aids, que tem 202 pacientes adultos, trabalhamos com hipertensão, diabetes, tuberculose e hanseníase. Tenho que telefonar para quem deixa de vir, alguns chegam aqui precisando conversar…

Você consegue dar um atendimento individualizado aos pacientes?

Eu os atendo eventualmente, quem em geral dispensa os medicamentos são três auxiliares. Mas esse é um dos pontos que penso em melhorar, especialmente em relação aos pacientes de HIV e tuberculose que, se não aderem, ficam sujeitos à resistência.

Essa farmácia é apertada, quase não tem espaço para o estoque, quanto mais para conversar com privacidade…
Temos muito para melhorar. Somente agora começamos a usar o Siclom porque recebemos mais uma farmacêutica, mas mantemos ainda os registros em fichas manuais. Em relação à adesão, eu gostaria de avaliar o histórico de cada paciente e incentivá-los a relatar efeitos adversos, coisa que nunca fazem. Outra idéia é dar palestras para o pessoal que trabalha comigo sobre os anti-retrovirais e outros temas relacionados ao HIV. Dois funcionários são agentes administrativos e outra é auxiliar de serviços de saúde, então têm menos conhecimento sobre a área. Ela veste a camisa da farmácia Irene Gambati quer dar palestras aos funcionários

A faculdade preparou você para o dia-a-dia da profissão?
Eu me formei em 1993, quando o tratamento da aids ainda estava no início. Sobre adesão também ainda não se falava. O que poderiam ter ensinado, e acho que hoje em dia ensinam, é a parte de administração de farmácia hospitalar e de laboratório.

Aliás, por que você fez faculdade de farmácia?
Por que fiz farmácia? (Risos). É até engraçado por que eu fiz farmácia (Risos). Sempre gostei de química e de biologia e, no segundo grau, eu tinha um professor de química orgânica que era muito inteligente. Aí, como eu e duas amigas não sabíamos o que fazer da vida, e esse professor era farmacêutico, resolvemos fazer vestibular para farmácia. Elas duas não passaram e desistiram, mas eu passei para a UFRJ (Risos). Foi aquela coisa de adolescente!

O professor pode influenciar muito o aluno.

Ainda mais o adolescente! Mas foi uma boa opção, eu gosto do que faço.

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