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Solução » Solução n.19

06/2007

“Ele tem que querer viver”

Em Serra (ES), dispensação tem hora marcada e conversa franca

A farmacêutica Marta Inês Brunelli Caretta trabalha exclusivamente com pacientes portadores de HIV/aids. O Hospital Estadual Dr. Dório Silva fica em Serra, município vizinho a Vitória, no Espírito Santo. Ali, numa sala reservada, Marta atende individualmente aos 155 pacientes que têm hora marcada mensalmente.

Seu ambiente de trabalho não se parece com uma farmácia. 
Implementei isso: queria uma sala onde o paciente pudesse se abrir. A farmácia é um lugar privilegiado para trabalhar a adesão porque o paciente vem todo mês. Geralmente, a sociedade tem uma representação errada do trabalho do farmacêutico, como se ele somente entregasse o medicamento e não percebesse as dificuldades do usuário.

Qual é o perfil dos seus pacientes?
Atendemos usuários de drogas e alcoolistas, que costumam ter recaídas. Temos presidiários, profissionais do sexo, pessoas idosas, gente desempregada por muitos anos. Em geral, os pacientes têm escolaridade baixa. Alguns têm uma rotina complicada, como os caminhoneiros que não vivem numa casa com geladeira. As dificuldades existem e o paciente tem que querer viver.

Onde uma conversa com um farmacêutico se diferencia de uma conversa com um médico ou um psicólogo? 
O paciente me fala das suas preocupações, medos e dúvidas e a orientação farmacêutica entra aí: sondo interações, vejo se toma outros medicamentos, se freqüenta outros médicos. Uma coisa simples pode virar um bicho de sete cabeças para o paciente.

Por exemplo?
Um paciente não sabia o que fazer porque o médico tinha mandado tomar o remédio às sete da manhã e às sete da noite, mas ele não conseguia comer nada às sete da manhã, tinha o hábito de dormir tarde e acordar tarde. Eu disse que ele podia tomar o remédio ao meio dia e à meia noite.

Como você avalia o resultado do seu trabalho? 
A adesão chega a 90%. Como atendo com hora marcada, quando a pessoa não vem, vou atrás dela. O número de internações caiu muito e 80% dos pacientes estão com a carga viral indetectável.

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