Circulador

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Circulador » Circulador n.03

12/2007

Em busca do pai

Na Maternidade Fernando Magalhães, equipe tenta resgatar a relação entre pai, mãe e filho

Na hora do parto, a mulher só fica sozinha se quiser. Mesmo as que passaram toda a gestação longe do pai de seu filho, são incentivadas pela equipe de serviço social da Maternidade Fernando Magalhães a tentar uma re-aproximação. Afinal, como acredita a assistente social Márcia Soares, o contato com o pai traz benefícios para a criança e para a construção de uma relação de respeito entre um homem e uma mulher que têm um filho em comum.

Márcia Soares (de blusa preta) e Leila Regina Marques, do serviço social da Maternidade Fernando Magalhães.

Como é a reação da mulher a essa proposta de aproximação?
Márcia: Quando a mulher chega sem o companheiro na maternidade, conversamos com ela, tentamos entender porque está sozinha, que relação tem com o pai de seu bebê, que tipo de apoio recebeu. Algumas não querem a ajuda da equipe, mas muitas
têm vontade de modificar a situação e se sentem aliviadas em poder falar sobre o assunto. Estas passam a ver que podem valorizar o homem como pai, ainda que não o valorizem como namorado ou marido.

Qual é o procedimento adotado?
Após essa conversa, com o consentimento da mãe, a equipe faz contato por telefone com o pai, coloca a situação, fala da importância da visita, da necessidade que a criança tem de ter um pai. Caso ele não acredite ser o pai, dizemos que ele pode pedir um teste de paternidade.

Como é a reação dos pais?
Alguns pais realmente não dão ouvidos, nem se deixam tocar pela conversa, mas muitos parecem que estavam aguardando algo acontecer para aproximá-los da situação. Estes vão até o hospital no período de visitas, são acolhidos pela equipe e orientados a dialogar com a mãe para acordos sobre o registro da criança, as visitas, a relação que o pai vai ter com o filho e tudo o mais.

Que mudanças essa iniciativa tem proporcionado?
Tentamos, nos momentos que precedem e sucedem o parto, dar assistência a questões que o pré-natal não identificou ou solucionou, e a ausência do pai é uma delas. A presença do homem nesses momentos é muito importante, simboliza uma mudança e tem um efeito muito positivo na construção de uma nova relação que pai e mãe terão dali por diante. Pensamos no benefício deles e da criança, mas nosso papel é mediar. É preciso que o casal tenha total autonomia para tomar decisões.

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Shantala: homens em ação

A Shantala é massagem indiana feita no bebê, pela mãe, pai ou outro cuidador. Além de acalmar as dores da cólica, dá à criança a sensação de segurança e harmonia, sendo um alívio para as angústias. Em 2003, Cristina Barros, gerente de programas de terapias alternativas da Secretaria Municipal Saúde, capacitou 200 servidores da saúde para a execução da Shantala. “Os hospitais e equipes de Saúde da Família que incluíram a prática de Shantala em suas atividades têm obtido excelente resultado, principalmente no quesito interação cuidador-bebê”, comemora Cristina Barros. No Programa de Agentes Comunitários de Vila Aliança, um grupo composto de pais e mães se reuniu para praticar a Shantala e outras atividades propostas pela Medicina Alternativa, como a ginástica e a auriculoterapia. O coordenador do grupo, o agente comunitário Kelson, conta que durante as sessões os bebês riam ou dormiam relaxadamente. “Era muito bom ver o pai e a mãe tendo aquela interação com o filho”, diz ele. Atualmente o grupo não tem se reunido por falta de espaço, mas Kelson pretende recomeçar o trabalho em breve. “Os pais ficaram muito alegres de poder participar”, conta.

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