Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids » Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids n.02

03/2008

Patrícia Guimarães, pediatra especializada em saúde do adolescente – Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais

A IMPORTÂNCIA DO GRUPO E DA SENSIBILIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS PARA O TRABALHO COM JOVENS
Patrícia Guimarães, pediatra especializada em saúde do adolescente, coordena grupos de jovens no Serviço de Medicina do Adolescente e no Centro de Treinamento e Referência em Doenças Infecto-Parasitárias (CTR-DIP), ambos serviços do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Ela fala aqui sobre essa experiência.

Porque trabalhar com grupos de adolescentes?

O jovem tem uma tendência grupal muito forte. Ele se apóia em seus pares para fazer a passagem do laço familiar para o laço social. Emoções difíceis de alcançar em uma consulta individual extravasam muito mais facilmente num trabalho em grupo. Estudos no campo da saúde do adolescente mostram resultados claramente positivos quando se trabalha com os jovens reunidos.

Conte sobre a experiência com o grupo de jovens do CTR-DIP.
Nos dois primeiros grupos que fizemos, o assunto HIV aparecia, com muita dificuldade, entremeado aos assuntos debatidos. Foram vários encontros até que as palavras soropositivo, aids ou HIV fossem mencionadas. O saldo positivo é que alguns dos jovens que participaram se vincularam aos grupos de teatro, arte e bate-papo do Serviço de Medicina do Adolescente.

Com o terceiro grupo está sendo diferente. Os encontros, mensais, são apenas para que os jovens se entrosem e se apropriem do espaço. Nós vemos filmes, passeamos ou fazemos oficinas de arte. Esse grupo é um aquecimento para, em 2008, iniciarmos um trabalho mais consistente, com um número maior de jovens.

Que sugestões você daria a quem deseja formar um grupo de jovens?
Recomendo, primeiro, investir fortemente na sensibilização de toda a equipe do serviço, abrindo espaço para conversar sobre a importância do grupo na adolescência. É fundamental um esforço conjunto para viabilizar a presença do jovem no grupo, estimulando-o a participar e estando disponível para consultas individuais antes ou depois do grupo, por exemplo. Em segundo lugar, recomendo fazer grupo operativo, por sua dimensão terapêutica e educativa, com encontros quinzenais e, ao
menos, seis integrantes, preferencialmente.

Como funciona o grupo operativo?
Dois profissionais motivam a discussão de temas escolhidos pelos jovens. Propomos dinâmicas para interação do grupo, tiramos dúvidas, orientamos quando necessário e, juntos, vamos construindo o conhecimento. Lidamos com emoções intensas e tanto nós quanto eles aprendemos muito.

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