Saber Viver Jovem

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Jovem » Saber Viver Jovem n.01

01/2004

Escola sem preconceito

A escola é um local de aprendizado e de fazer amigos, onde passamos grande parte da nossa vida. Sendo assim, todo mundo deveria se sentir bem na escola, certo? Pois é…seria ótimo que isso fosse sempre verdade mas, infelizmente, não é.

Muitas crianças e jovens soropositivos já passaram por situações constrangedoras na escola, devido à ignorância e o preconceito de seus colegas, de seus professores e diretores.
Quem já sentiu na pele a dor de ser excluído do convívio com os colegas ou de ser apontado de forma agressiva no pátio do colégio sabe bem o que é isso. Parece estranho e sem sentido. Num lugar que tem como meta educar para o exercício da cidadania, como podem existir pessoas tão ignorantes e preconceituosas?

Fora ignorância, xô preconceito!
As pessoas, de uma forma geral, sabem muito pouco sobre aids. Desconhecem as formas de transmissão do HIV. Algumas acham, inclusive, que beber no mesmo copo ou beijar e abraçar pode passar aids. Isso é simplesmente ignorância sobre o assunto. Elas precisam de informações corretas e atualizadas para perceber que viver com HIV/aids não é nenhum bicho de sete cabeças.
O preconceito tem muito a ver com a falta de informação. As pessoas são preconceituosas porque pensam que conhecem um assunto que na realidade não conhecem. A imagem que a aids tinha no início da epidemia – de que era uma doença mortal, que só atingia pessoas com muitos parceiros sexuais (principalmente os homossexuais) e os que usam drogas injetáveis – é, ainda hoje, a noção que a maioria das pessoas tem sobre a doença, apesar de muita coisa ter mudado nos últimos anos. Hoje, se sabe que o HIV pode infectar qualquer pessoa que faça sexo sem proteção. E que, se a aids ainda não tem cura, tem tratamento, e uma pessoa soropositiva pode ter uma vida produtiva e feliz. No entanto, talvez ainda demore alguns anos para todo mundo perceber essas mudanças.

Informação é solução
A melhor forma de combater a ignorância sobre a aids e o preconceito que atinge os que são soropositivos é divulgar continuamente informações sobre o assunto. Procure seus professores ou a direção da escola em busca de ajuda. Vocês podem entrar em contato com organizações não-governamentais que oferecem palestras, oficinas e peças de teatro sobre aids em escolas e solicitar uma visita. Assim vocês estarão contribuindo para o fim da discriminação às pessoas que vivem com HIV/aids (Veja a listagem de instituições que oferecem este serviço no final da revista).

Se precisar, procure ajuda da Justiça
A Constituição Federal proíbe qualquer forma de discriminação inclusive dentro da escola. Caso perceba preconceito e incompreensão por parte dos diretores ou professores, o melhor a fazer é procurar a Justiça. Você ou seu responsável podem entrar com uma ação contra a escola. Procure um advogado que atenda em ONGs/aids e explique o seu problema. Ele certamente poderá ajudá-lo.

MINHA VIDA NA ESCOLA …

“Há um ano a diretora da minha escola quis colocar um cartaz no pátio dizendo a todos que eu tinha o HIV. Fui conversar com ela com um gravador escondido e gravei sua voz dizendo que ia fazer isso. Minha patroa me ajudou a achar uma advogada e entramos na justiça. Depois disso, a direção da escola foi toda mudada”.
João, 18 anos, Ji-Paraná – RO

“Na escola, meus colegas diziam que não queriam ficar perto de mim porque eu tinha aids. Eu reclamava com a diretora e ela não fazia nada. Até que eu a ameacei dizendo que ia denunciar a escola. Fiquei três meses sem ir às aulas e só voltei depois que ela falou com os alunos e tudo melhorou. Um dia, sem ela ver, uns meninos me chamaram de aidética. Ela me mudou de sala, mas nada adiantou. Resolvi mudar de escola”.
Alice, 16 anos, Belo Horizonte – MG

“Na minha escola todos sabem que eu tenho o HIV porque eu contei para um amigo, que contou para outro, que contou para outro até que todo mundo ficou sabendo. Por causa disso acharam que eu era drogada e prostituta. A situação ficou insuportável, até que eu, minha médica e minha psicóloga fomos à escola fazer umas palestras. Eu contei que contraí aids na barriga da minha mãe, elas explicaram como a aids pega e como não pega, falamos de preconceito etc. Mas o boato continuou, com gente falando mal de mim pelos cantos. Mudei do turno da manhã para o da noite e as coisas melhoraram um pouco. Até que eu comecei a namorar um menino da turma. A professora, que sabia, falou para todos os meninos tomarem cuidado comigo, porque eu tinha o HIV e era falsa. Depois disso, não fui mais à escola. Quero ter uma prova do que a professora falou para poder entrar com uma ação na Justiça contra ela por danos morais. Pedi aos meus colegas para me ajudarem como testemunhas, mas eles estão com medo”.
Rosana, 17 anos, São Paulo – SP

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